30/05/2026 15:35

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Trump bota PCC e CV na lista dos terroristas do mundo; entenda o que muda / Folha do Interior

Decreto assinado pelos Estados Unidos coloca as maiores facções do Brasil no mesmo nível do Estado Islâmico perante a lei americana. A partir do dia 5 de junho, qualquer empresa ou pessoa que movimente dinheiro dessas organizações pode ser punida em qualquer lugar do mundo.

Sul Fluminense

O presidente Donald Trump assinou um decreto que vai mudar para sempre a forma como o mundo trata o PCC e o Comando Vermelho. A partir do dia 5 de junho, as duas maiores facções criminosas do Brasil serão consideradas organizações terroristas pelos Estados Unidos — e as consequências disso vão chegar até o interior do país.
Quem anunciou foi o secretário de Estado Marco Rubio, na última quinta-feira, 28 de maio. Em nota oficial, ele disse que PCC e Comando Vermelho são “duas das organizações criminosas mais violentas do Brasil” e que seu alcance já chegou ao território americano. O FBI encontrou células das duas facções em 12 estados dos EUA. Em março do ano passado, 18 brasileiros já tinham sido indiciados nos Estados Unidos por tráfico de armas com ligação ao PCC.
Mas o que isso muda na vida de todo mundo?
Para começar, qualquer banco, empresa ou pessoa que movimente dinheiro sujo do PCC ou do Comando Vermelho usando o sistema financeiro americano — ou simplesmente o dólar — pode ter as contas bloqueadas e responder por crime de terrorismo nos Estados Unidos. Isso vale para empresas brasileiras também. Se um banco daqui processar uma transferência que tenha origem nas facções, mesmo sem saber, fica sujeito a multas bilionárias e pode ser cortado do sistema financeiro internacional.

PCC movimenta R$ 100 bilhões por ano

Os números mostram por que os americanos resolveram agir. O Ministério Público e a Polícia Federal estimam que o PCC fatura mais de R$ 100 bilhões por ano — só contando drogas e combustíveis desviados. Para se ter ideia, isso é mais do que o orçamento de vários ministérios federais somados. E boa parte desse dinheiro passa por fora dos bancos tradicionais: uma investigação deflagrada também na quinta-feira, a Operação Fluxo Oculto, descobriu que seis fintechs — aquelas empresas de pagamento digital que todo mundo usa no celular — foram usadas como bancos clandestinos da facção. Juntas, movimentaram R$ 26 bilhões em três anos. Uma dessas empresas chegou a receber mais de R$ 1 bilhão em dinheiro vivo. A Receita Federal disse que isso é tecnicamente impossível para esse tipo de empresa — e foi exatamente por isso que chamou atenção.
Além das fintechs, o PCC usa criptomoedas. Só nas operações rastreadas até agora, foram R$ 365 milhões em transações com criptoativos ligados à lavagem de dinheiro. A organização também infiltrou fundos de investimento que cresceram mais de 200% em menos de um ano, empresas de logística, transportadoras e até serviços públicos como transporte coletivo. O promotor Lincoln Gakiya, do Gaeco de São Paulo — que investiga o PCC há mais de vinte anos e vive sob escolta —, estima que a facção movimenta US$ 1 bilhão por ano só nas operações internacionais. “A principal meta hoje é a asfixia financeira da organização”, ele já declarou.
Com a nova classificação americana, essa asfixia vai ganhar um braço muito mais longo. O OFAC, que é o setor do Tesouro dos EUA responsável por aplicar sanções financeiras, vai poder ir atrás de qualquer empresa ou pessoa no mundo que tenha feito negócio com as facções. Não importa se a empresa é americana, brasileira ou de qualquer outro país: se usou dólar ou sistema financeiro americano, está na mira.
O governo Lula não ficou feliz. O Brasil se recusou a classificar PCC e CV como terroristas porque a lei brasileira foi feita para crimes motivados por ódio, religião ou ideologia — não para quadrilha que quer é dinheiro e poder. Mas isso não impediu os americanos de agirem por conta própria. E o alerta mais sério veio do próprio promotor que mais sabe sobre o PCC no país: Gakiya disse que essa classificação abre caminho para que, no futuro, a CIA ou forças especiais americanas façam operações secretas na fronteira — ou até dentro do Brasil.
O decreto entra em vigor daqui a uma semana. O crime organizado brasileiro nunca esteve tão perto de enfrentar o inimigo mais poderoso do mundo.

ENTENDA EM LINGUAGEM SIMPLES
O que é o OFAC?

É o departamento do governo americano que aplica sanções financeiras. Quando ele coloca alguém na lista, essa pessoa ou empresa fica proibida de fazer qualquer negócio usando dólares ou bancos americanos — o que, na prática, significa ser cortado do sistema financeiro mundial.

O que é ser classificado como terrorista nos EUA?

Significa ser colocado no mesmo nível de organizações como o Estado Islâmico e a Al-Qaeda perante a lei americana. Qualquer pessoa que ajude financeiramente uma dessas organizações pode ser presa por crime de terrorismo — nos Estados Unidos ou em países aliados.
O Brasil é obrigado a seguir? Não. A lei brasileira não obriga o governo a adotar a mesma classificação. Mas as empresas e bancos que operam em dólar no Brasil terão que obedecer às regras americanas mesmo assim.
Quem corre risco aqui no Brasil? Qualquer empresa que, sem saber, tenha processado pagamentos ligados às facções pode ser investigada. Fintechs, transportadoras, postos de combustíveis e até fundos de investimento estão no radar.

OS NÚMEROS QUE ASSUSTAM

Mais de R$ 100 bilhões por ano — o que o PCC fatura só em drogas e combustíveis desviados, segundo o MP e a PF.

R$ 26 bilhões — passaram por seis fintechs clandestinas do PCC entre 2022 e 2025.

R$ 1 bilhão em dinheiro vivo — depositado em uma única fintech. A Receita disse que não deveria ser possível.

R$ 365 milhões — lavados via criptomoedas nas operações investigadas.

US$ 1 bilhão por ano — só nas operações internacionais da facção, segundo o promotor Lincoln Gakiya.

40 mil membros — do PCC espalhados pelo Brasil e por pelo menos 28 países.

12 estados americanos — com células do PCC e do CV identificadas pelo FBI.
5 de junho — a data em que tudo muda.

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