O prefeito Eduardo Cavaliere voltou a falar em “caixa-preta” dos ônibus do Rio de Janeiro ao comentar o adiamento do fim do pagamento em dinheiro nas linhas municipais. A medida, que começaria neste sábado, foi transferida para 28 de junho por decisão da Justiça.
Durante coletiva, Cavaliere afirmou que a digitalização completa das passagens deve ajudar a Prefeitura a entender com mais precisão o número real de passageiros transportados. Segundo ele, quase 96% dos embarques já são feitos por bilhetes, mas ainda há dúvidas sobre os dados finais informados ao município.
“Pode ser, sim, que tenha um desencaixe”, disse Eduardo Cavaliere, ao comentar a diferença entre o volume real de passageiros e o número declarado ao fim da operação.
O prefeito afirmou ainda que a própria transição para o fim do dinheiro nos ônibus poderá esclarecer esse ponto. Para a Prefeitura, retirar o pagamento em espécie da operação ajuda a rastrear melhor as viagens e reduz zonas de sombra na bilhetagem.
PIX será aceito nos ônibus municipais
Ao lado do secretário municipal de Transportes, Jorge Arraes, e da presidente da Mobi-Rio, Cláudia Secim, Cavaliere também anunciou que todos os ônibus municipais passam a aceitar pagamento por PIX a partir deste fim de semana.
A medida faz parte da ampliação dos meios digitais de pagamento no transporte público municipal. O objetivo da Prefeitura é acelerar a migração para o Jaé, sistema criado para substituir o Riocard nos modais sob responsabilidade do município.
O debate sobre a bilhetagem vem de longe. O então prefeito Eduardo Paes já usava o termo “caixa-preta” para criticar a dificuldade de acesso da Prefeitura aos dados da operação. À época, ele também criticava o fato de a Riocard TI ser administrada por empresários ligados ao próprio setor de ônibus.
Transição do Jaé se arrasta desde 2023
O Jaé começou a ser usado em julho de 2023, mas a troca definitiva pelo Riocard passou por sucessivos adiamentos. A promessa inicial era que o sistema fosse adotado em ônibus municipais, vans legalizadas, VLTs e cabritinhos a partir de novembro daquele ano.
O cronograma, porém, foi revisto após problemas técnicos, testes operacionais e dúvidas jurídicas sobre quem deveria arcar com os custos de instalação dos novos validadores nos ônibus dos consórcios Transoeste, Transcarioca, Santa Cruz e Internorte.
A Prefeitura chegou a estipular julho de 2024 como novo prazo, mas a meta também não foi cumprida. Em agosto daquele ano, a estimativa era que apenas 1% dos embarques ocorresse com o cartão Jaé. Depois, uma nova previsão foi anunciada para fevereiro de 2025.
Outro entrave foi a integração entre os sistemas Jaé e Riocard, resolvida em julho do ano passado por meio de um acordo entre município e estado.
Na prática, beneficiários do Bilhete Único Intermunicipal (BUI), bancado pelo Governo do Estado do Rio para passageiros com renda de até R$ 3.205,20, continuam usando validadores do Riocard nos modais municipais. Os demais passageiros precisam migrar para o Jaé.
O próximo passo será o fim do pagamento em dinheiro nos ônibus municipais. Para a Prefeitura, essa etapa é decisiva para fechar o cerco sobre os dados da bilhetagem e conhecer, de fato, o volume de passageiros transportados na cidade.
As informações são d´O Globo