De agências bancárias a WhatsApp, criminosos usam tecnologia e confiança para enganar a terceira idade; Volta Redonda registrou mais de um caso por dia em março
O Sul Fluminense enfrenta uma escalada preocupante de crimes contra idosos. Os dados do Nuai (Núcleo de Atendimento ao Idoso), instalado na 93ª Delegacia de Polícia de Volta Redonda, escancaram uma realidade alarmante: a violência contra idosos deixou de ser pontual e passou a fazer parte da rotina da cidade — com 33 casos registrados em apenas um mês, média superior a um por dia. Conheça os cinco golpes mais aplicados na região e saiba como se proteger.
1. O golpe da ajuda no caixa eletrônico
Quadrilhas agem principalmente em agências bancárias, abordando idosos sob o pretexto de oferecer ajuda em caixas eletrônicos. Aproveitando-se da confiança das vítimas, os criminosos conseguem acesso aos dados bancários e realizam transferências, saques indevidos e até contratação fraudulenta de empréstimos. Em maio deste ano, um homem de 29 anos foi preso em Angra dos Reis durante a Operação Estorno, suspeito de liderar um grupo especializado nesse tipo de crime. Segundo a Polícia Civil, o grupo abordava vítimas dentro de agências bancárias e operava os terminais para obter dados e realizar transferências.
2. O golpe do falso advogado
Como alertou o delegado Marcelo Russo, titular da Delegacia de Porto Real, criminosos enviam mensagens pelo WhatsApp se passando por advogados ou funcionários de escritórios de advocacia, informando que a vítima tem direito a receber uma indenização judicial. Apresentam número de processo real, foto de advogado e detalhes convincentes — e no final pedem o pagamento de uma taxa para liberar o valor. O dinheiro some junto com o golpista. O crime está acontecendo em Porto Real, Volta Redonda, Barra Mansa e Resende.
3. O golpe da cuidadora
Policiais civis da 93ª Delegacia de Polícia de Volta Redonda prenderam uma mulher acusada de furto qualificado contra idosos. A suspeita atuava como cuidadora e aproveitava o acesso privilegiado à residência e à intimidade das vítimas para subtrair bens e dinheiro. O golpe é especialmente cruel porque explora a vulnerabilidade de quem depende de cuidados e confia no profissional contratado.
4. O golpe do WhatsApp clonado
Criminosos clonam o número de WhatsApp de um familiar — geralmente filho ou neto — e enviam mensagens pedindo dinheiro urgente para resolver uma emergência. Usam o nome, a foto e o histórico de conversas para tornar a fraude convincente. O idoso transfere o valor acreditando estar ajudando a família. Os golpistas operam com celulares pré-pagos, o que dificulta o rastreamento pela polícia.
5. O golpe do empréstimo consignado não solicitado
Criminosos ligam se passando por funcionários do INSS ou de bancos e oferecem empréstimos consignados com condições vantajosas. Pedem dados pessoais, número do benefício e senha para “confirmar o cadastro”. Com essas informações, contratam empréstimos em nome da vítima e desviam os valores. A vítima só percebe o golpe quando vê o desconto no benefício.
Como se proteger
Nunca forneça dados bancários ou senha por telefone. Nenhum banco ou órgão público solicita senha por ligação. Antes de fazer qualquer transferência, ligue para o familiar pelo número que você já conhece para confirmar o pedido. Desconfie de qualquer cobrança de taxa para receber benefício ou indenização judicial. Em caso de dúvida, procure diretamente a delegacia ou o Procon.
Denúncias podem ser feitas pelo Disque 100, canal nacional de proteção ao idoso, ou diretamente na delegacia mais próxima.