
O pré-candidato ao governo do Rio de Janeiro, Douglas Ruas (PL), participou nesta sexta-feira, 3 de abril, do megaevento “Família ao Pé da Cruz”, organizado pela Igreja Universal do Reino de Deus no complexo do Maracanã. O encontro mobilizou operação especial de trânsito da prefeitura e teve programação também no Maracanãzinho.
No Rio, o ato religioso foi marcado para as 9h no Maracanã. Segundo a própria Universal, o evento aconteceu de forma simultânea em grandes arenas de outros estados, como Neo Química Arena e Pacaembu, em São Paulo, além de Mané Garrincha, Arena do Grêmio, Fonte Nova, Mangueirão e Independência. A igreja informou ainda que a mobilização ocorreu em 151 países e em milhares de municípios brasileiros.
A presença de Douglas Ruas no evento reforça um movimento já perceptível de aproximação com lideranças e espaços do campo evangélico, num momento em que a corrida pelo Palácio Guanabara começa a ganhar forma. Em pesquisa Real Time Big Data divulgada em março, Eduardo Paes apareceu com 46% das intenções de voto, enquanto Ruas marcou 13% em um dos cenários testados.
Quem também apareceu no evento foi o deputado federal e ex-prefeito do Rio Marcelo Crivella (Republicanos), em imagens ao lado de Ruas. A cena chama atenção porque ocorre num momento em que o Republicanos, partido historicamente ligado à Universal, segue no centro de articulações para a eleição estadual.
Nas últimas semanas, Eduardo Paes abriu negociações com o Republicanos e chegou a oferecer ao partido uma vaga ao Senado em sua chapa. Ao mesmo tempo, Crivella continua sendo tratado como nome de peso dentro da legenda no estado. E, nesta sexta-feira, o ex-prefeito de Miguel Pereira, André Português, se filiou ao partido, onde pode ser candidato ao governo. Nesse contexto, a presença conjunta de Ruas e Crivella no Maracanã acaba sendo lida também como sinal político, ainda que o ato tenha caráter religioso.
Nas redes sociais, o bispo Renato Cardoso, um dos principais nomes da organização, deu tom político e irônico à convocação ao chamar o encontro de “a maior lata de conservas da família”, em referência a um debate recente envolvendo símbolos conservadores no carnaval.