18/01/2026 19:52

  • Home
  • Politica
  • Usina usada para incinerar corpos na ditadura pode ser tombada

Usina usada para incinerar corpos na ditadura pode ser tombada

Estado do Rio – O Parque Industrial da Companhia Usina Cambahyba, em Campos dos Goytacazes, Norte Fluminense, pode ser tombado por interesse histórico. O local foi utilizado durante a ditadura cívico-militar para incinerar o corpo de presos políticos. A determinação consta no Projeto de Lei 2.360/23, de autoria original da deputada Marina do MST (PT) e do presidente da Casa, deputado Rodrigo Bacellar (União), que a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) aprovou nesta terça-feira (05), em segunda discussão. A medida segue para o governador Cláudio Castro, que tem até 15 dias úteis para sancioná-la ou vetá-la.
O tombamento tem como objetivo proteger o local de modificações que possam comprometer sua integridade histórica. O projeto impede qualquer destruição ou descaracterização da área, permitindo somente intervenções que estejam em conformidade com princípios de preservação e que promovam a criação de um espaço cultural. No depoimento do ex-delegado Cláudio Guerra à Comissão Nacional da Verdade, ele admitiu ter incinerado, nas instalações da usina, os corpos de 12 desaparecidos políticos, entre eles Ana Rosa Kucisnky e Fernando Santa Cruz.
“Tombar o Parque Industrial da Usina Cambahyba por interesse histórico é uma forma de garantir o direito à memória, à verdade e à justiça com reparação pelas graves violações de direitos humanos ocorridos durante e após a ditadura nessa região, em Campos. A região é marcada historicamente por conflitos que perduram até os dias de hoje, mas que deve ser lembrada pela capacidade de resistência da população”, comentou a autora, deputada Marina do MST (PT), em plenário.
Além de sua importância no contexto da ditadura militar, o Complexo Cambahyba, formado por sete fazendas, também esteve no centro de disputas sociais mais recentes. Desde 1998, a área foi considerada improdutiva e alvo de reivindicações do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Em 2021, a Justiça Federal decretou a desapropriação de uma das fazendas para fins de reforma agrária, dando origem ao Acampamento Cícero Guedes, hoje habitado por 300 famílias.
Também assinam o texto como coautores os seguintes deputados: Luiz Paulo (PSD), Carlos Minc (PSB), Jari Oliveira (PSB), Elika Takimoto (PT), Átila Nunes (PSD), Dani Monteiro (PSol) Verônica Lima (PT), Professor Josemar (PSol), Renata Souza (PSol), Martha Rocha (PDT), Dani Balbi (PCdoB), Flávio Serafini (PSol), Vitor Júnior (PDT), Tia Ju (REP), Zeidan (PT), Andrezinho Ceciliano (PT) e Carla Machado (PT).

Clique aqui para acessar a Fonte da Notícia

VEJA MAIS

Moto com sinais de identificação adulterados é apreendida em Três Rios – Informa Cidade

A Polícia Militar apreendeu na madrugada deste domingo (18), na Praça São Sebastião, no Centro…

Com gabinete itinerante, Léo do Circo encerra primeiro ano com avanços em Porto Real

PORTO REAL O vereador Leonardo Odilon de Novais, conhecido como Léo do Circo (PDT), apresentou…

Gilmar Mendes nega pedido de prisão domiciliar a Bolsonaro

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou um pedido de prisão domiciliar…