A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) anunciou a abertura de uma sindicância para apurar a execução de um convênio de R$ 35 milhões firmado com a PortosRio. Foi determinada também a suspensão do pagamento do acordo, além do pedido de esclarecimentos à Fundação Universitária José Bonifácio (FUJB), responsável pela gestão administrativa e financeira do projeto.
A medida foi adotada após uma reportagem publicada pelo UOL apontar supostas irregularidades na distribuição de bolsas vinculadas ao convênio. Segundo o veículo, parte dos beneficiários teria ligação com grupos políticos do estado do Rio, entre candidatos, dirigentes partidários, assessores, ex-servidores e familiares de políticos.
De acordo com a investigação, o contrato previa recursos para estudos técnicos, projetos de pesquisa e cursos de capacitação voltados ao setor portuário. O levantamento do portal afirma que mais da metade dos bolsistas analisados possuía algum vínculo com a atividade político-partidária, embora o pagamento tenha sido realizado por meio de bolsas de extensão.
Em nota, a UFRJ destacou que a seleção dos participantes do programa não é atribuição da universidade. Segundo a instituição, o Termo de Bolsa de Custeio para Curso de Extensão e Capacitação Técnica nº 001-2026 estabelece que cabe exclusivamente à PortosRio definir os critérios de escolha dos bolsistas, indicar os nomes ao coordenador do projeto e disponibilizar os recursos financeiros destinados aos pagamentos.
A universidade afirmou ainda que sua responsabilidade no convênio está restrita ao acompanhamento acadêmico das atividades desenvolvidas, enquanto a FUJB responde pela execução administrativa e financeira do acordo.
A Reitoria informou que acompanhará a apuração até sua conclusão e que adotará as medidas administrativas cabíveis para garantir a legalidade, a transparência e a correta aplicação dos recursos públicos.
O DIÁRIO DO RIO entrou em contato com a PortosRio que afirmou concordar com a decisão da UFRJ de instaurar uma sindicância e propôs a realização conjunta do procedimento. A companhia garantiu que adotou medidas de governança após as informações divulgadas, incluindo a suspensão de pagamentos relacionados ao Eixo 3, a revisão da seleção de bolsistas pela universidade e a transferência da responsabilidade pela escolha dos participantes para a universidade. Segundo a empresa, as ações buscam reforçar a transparência e garantir a regular execução do convênio, que prevê projetos de inovação e modernização da gestão portuária.