O ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes afirmou nesta terça-feira 15 ser evidente um viés político-eleitoral na condução da petição que contém um relatório da Polícia Federal sobre diálogos entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Master, e o ministro Alexandre de Moraes.
A declaração resultou em uma discussão aos gritos durante a sessão em que o plenário decidirá se autoriza uma investigação contra Moraes. A PF produziu o relatório por determinação do ministro André Mendonça.
“É evidente, até as pedras sabem: há um inequívoco viés político-eleitoral na forma como o tema foi conduzido nesta PET 1662. Escolha de data, 7 de setembro, todo esse cenário, envolvendo esta Corte em campanha eleitoral”, disse Gilmar. Mendonça interrompeu o decano e afirmou que o colega “está sendo leviano”.
“Vossa excelência não tem a palavra e vai escutar com tranquilidade”, acrescentou Gilmar. “Evidente condução político-eleitoral. Escolha do 7 de Setembro, até pixulecos. Isso não se faz. Pessoas decentes não fazem isso.”
Mendonça, então, se dirigiu a Gilmar: “Não aponte o dedo. Não está falando com qualquer um. Respeite este tribunal”. O decano, por sua vez, devolveu: “Quem não se dá respeito não merece respeito”.