Pedro Duarte
vereador, advogado e pós-graduado em Gestão Pública
Diz o ditado que nada é mais definitivo do que o provisório. Na gestão pública, a frase às vezes deixa de ser ironia e vira realidade, e Botafogo guarda dois casos que ilustram bem isso: dois terrenos que o Governo do Estado do Rio de Janeiro deixou em situação indefinida, sem nenhuma necessidade, e cuja solução a população do bairro não se cansa de apontar.
O primeiro é o grande terreno entre as ruas Mena Barreto e General Polidoro, resquício das obras da Estação Botafogo do metrô, concluídas nos anos 1980. Ali deveria estar a continuação da Rua Nelson Mandela. Hoje, o terreno, de propriedade da RioTrilhos, a Companhia de Transportes sobre Trilhos do Estado do Rio de Janeiro, serve sobretudo como depósito de viaturas fora de uso da Polícia Militar. A interrupção da Rua Nelson Mandela obriga pedestres e motoristas a darem uma volta enorme ou, pasmem, a atravessarem uma galeria comercial e um mercado para ligar duas partes importantes do bairro.
O segundo é ainda mais curioso. Na Rua Álvaro Ramos funciona hoje o 2º BPM, responsável pelo policiamento de boa parte da Zona Sul. São tantos anos no local que já nos acostumamos com uma estrutura que deveria ser provisória, montada após a venda do terreno da antiga sede.
Os policiais trabalham improvisados, em um espaço que não oferece as condições adequadas para garantir o policiamento que a região merece. E há um detalhe que poucos conhecem: sob esse terreno, também da RioTrilhos, existe uma estação de metrô inacabada!
Sim, você não leu errado. A Estação Morro de São João, na Linha 1, entre Botafogo e Cardeal Arcoverde, chegou a ter as plataformas semiprontas e ligaria seus usuários às imediações do Shopping Rio Sul e da sede do Botafogo.
A solução, cobrada por moradores e formalmente defendida pela Associação de Moradores e Amigos de Botafogo (AMAB), proposta em parte pela Prefeitura do Rio no que diz respeito à Rua Nelson Mandela, e denunciada e cobrada pelo nosso mandato e pela Comissão de Assuntos Urbanos da Câmara Municipal, inclusive em denúncias que viraram matéria de televisão e em reunião com a própria RioTrilhos, é muito simples: que o terreno entre Mena Barreto e General Polidoro volte a ser a continuação da Rua Nelson Mandela e que o da Álvaro Ramos receba a sede de um novo, moderno e definitivo batalhão da Polícia Militar.
A população não pode continuar refém de disputas políticas e de burocracia lenta e ineficaz. A Prefeitura já tem projeto para o local, e o Legislativo carioca está à disposição para o que for necessário.
Há parlamentares que defendem que o espaço se torne um terminal intermodal. Penso que isso gerará ainda mais transtorno para um bairro que já é sacrificado pelo trânsito da cidade. Ideal é escutar as pessoas: elas querem segurança, com a instalação do Batalhão da PM no local, e uma simples passagem confortável, limpa e bem iluminada entre a Álvaro Ramos e a General Polidoro, facilitando o cotidiano de quem conhece e mora na região. É o que defendo, ao lado dos moradores.
Esperamos, e oficiamos nesse sentido, que a atual gestão do Governo do Estado, que vem tomando medidas importantes em diferentes frentes, também atue aqui. Porque o que está em jogo é muito mais do que só dois terrenos em Botafogo: é mais segurança, mais mobilidade e mais vida para todo um bairro.