20/08/2026 20:59

  • Home
  • Politica
  • Marcelo Queiroz propõe lares temporários remunerados para animais resgatados

Marcelo Queiroz propõe lares temporários remunerados para animais resgatados

O deputado federal Marcelo Queiroz (PSDB), candidato à reeleição pelo Rio de Janeiro com o número 4500, defendeu a criação de uma rede de lares temporários remunerados para receber animais resgatados de situações de abandono e maus-tratos. A proposta foi apresentada durante entrevista ao DIÁRIO DO RIO, na qual o parlamentar também falou sobre castração, hospitais veterinários, mercado pet, formação profissional e doação de órgãos.

O projeto prevê o cadastramento de pessoas dispostas a acolher os animais até que sejam encaminhados para adoção. Os responsáveis receberiam recursos públicos para custear alimentação, medicamentos e demais despesas, além de uma remuneração pelo trabalho realizado.

A rede seria fiscalizada pelo poder público, com a participação de órgãos como o Ministério Público e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

— Se eu tivesse que escolher uma prioridade para o meu segundo mandato, seria o lar temporário remunerado — afirmou Marcelo Queiroz.

Youtube video

Animais resgatados não têm para onde ir

Segundo o deputado, um dos principais gargalos da proteção animal surge depois do resgate. Mesmo quando a polícia identifica o agressor, prende o responsável e encaminha o animal para atendimento veterinário, frequentemente não existe um local adequado para recebê-lo.

Atualmente, policiais, protetores e órgãos públicos recorrem às organizações não governamentais, que geralmente já trabalham acima de sua capacidade e sem financiamento permanente.

— A polícia prende o sujeito, o animal recebe atendimento veterinário, mas o que faz com o cachorro depois? Fica tudo na gambiarra. A polícia liga para as ONGs pedindo vaga, mas as ONGs não têm nenhum suporte público — explicou.

Para Marcelo, o modelo permitiria distribuir os animais entre residências previamente avaliadas, evitando a concentração de milhares de cães e gatos em grandes abrigos.

O candidato considera o abrigo público tradicional um modelo ultrapassado, principalmente quando reúne um número elevado de animais no mesmo espaço. Além dos custos de manutenção, a concentração facilita a transmissão de doenças.

— Você colocar 5 mil ou 6 mil animais no mesmo local não tem sentido. Um animal passa doença para o outro, e isso encarece ainda mais o processo — declarou.

Castração deve ser prioridade

A castração aparece como a principal política estruturante defendida por Marcelo Queiroz para reduzir o abandono de cães e gatos.

Segundo o deputado, o procedimento ajuda a controlar o crescimento da população animal, reduz o risco de algumas doenças e diminui, no médio e no longo prazo, a quantidade de animais abandonados.

— Se eu fosse escolher uma prioridade para atacar, seria sempre a castração. Ela resolve os outros problemas no médio e no longo prazo — afirmou.

Marcelo estima que os programas implantados ou apoiados por ele tenham realizado entre 400 mil e 500 mil procedimentos ao longo dos últimos anos.

Quando foi secretário estadual de Agricultura, o candidato participou da implantação do RJ Pet. Em 2022, o programa alcançou a marca de 100 mil castrações em sete meses, com clínicas credenciadas e unidades móveis em diferentes regiões do estado.

Atualmente, o deputado destina emendas parlamentares para iniciativas executadas em parceria com o Ministério do Meio Ambiente e a Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro.

Em 2026, o Castra Mais RJ estabeleceu a meta de realizar 50 mil castrações gratuitas em todo o estado.

Meta de 1 milhão de castrações por ano

Marcelo Queiroz defendeu que o Estado do Rio estabeleça como meta a realização de 1 milhão de castrações anuais.

Na avaliação do candidato, somente depois de controlar a população de cães e gatos será possível ampliar, de forma financeiramente sustentável, os hospitais veterinários e os serviços de maior complexidade.

— Por mim, teria hospital veterinário público em cada esquina. Mas quem vai pagar essa conta? A castração é rápida, barata e já provamos que é possível fazer com qualidade — argumentou.

O deputado criticou candidatos que prometem hospitais veterinários funcionando 24 horas sem explicar de onde sairão os recursos necessários para manter os profissionais, os medicamentos, os exames e as cirurgias.

Segundo ele, a política de saúde animal deve começar pela prevenção, com castração, vacinação e controle de parasitas, antes de avançar para os procedimentos de alta complexidade.

SUS Animal

O candidato também defendeu a criação de um Sistema Único de Saúde voltado aos animais, o chamado SUS Animal.

A primeira etapa seria a elaboração de uma tabela nacional com valores de referência para consultas, exames, castrações, vacinas, internações e cirurgias. Clínicas e hospitais veterinários poderiam se credenciar para prestar os serviços ao poder público.

— A gente precisa criar uma tabela para padronizar os valores e fazer o credenciamento de forma segura. O primeiro passo é saber de onde virá o dinheiro do SUS veterinário — afirmou.

Marcelo disse conversar com universidades públicas e instituições científicas sobre a criação da tabela. Para ele, o modelo poderia aproveitar a estrutura dos hospitais veterinários universitários, incluindo os mantidos pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) e pela Universidade Federal Fluminense (UFF).

O parlamentar argumentou que investir nas instituições já existentes seria mais rápido e barato do que construir uma nova rede pública do zero.

— É muito mais simples injetar dinheiro público nos hospitais universitários veterinários do que criar imediatamente uma estrutura completamente nova — avaliou.

Castração e vacinação antes da alta complexidade

Para Marcelo Queiroz, o SUS Animal precisa ser implantado de forma gradual.

A castração ocuparia a primeira etapa, seguida pela vacinação e pelo controle de parasitas. Somente depois seriam ampliados exames, cirurgias, internações e atendimentos de emergência.

— Castração em primeiro lugar e vacina em segundo. É como a Clínica da Família na saúde humana: você atua na base para depois chegar à alta complexidade — comparou.

O deputado afirmou que parte dos recursos destinados à castração poderia ser incluída nas políticas de saúde pública, devido à relação com o controle de zoonoses. Outros serviços poderiam receber verbas de fundos ambientais.

Cadastro Nacional de Animais

Durante a entrevista, Marcelo destacou a criação do SinPatinhas, cadastro nacional gratuito de cães e gatos integrado à plataforma Gov.br.

O sistema permite emitir uma espécie de carteira de identidade do animal, reunindo informações sobre o tutor, vacinação, castração e demais procedimentos.

O cadastramento ainda não é obrigatório para todos os animais. No entanto, segundo o deputado, passou a ser exigido nos programas de castração financiados com recursos federais.

— Não existe cachorro ou gato castrado com recurso federal nos programas que apoiamos sem passar pelo SinPatinhas. Assim, a gente começa a criar um número único para cada animal — explicou.

Marcelo afirmou que o cadastro permitirá dimensionar a população de cães e gatos, planejar as políticas públicas e responsabilizar tutores em casos de abandono ou maus-tratos.

Microchipagem de cães e gatos

O candidato também defendeu a microchipagem obrigatória dos animais comercializados ou encaminhados para adoção.

O dispositivo permite identificar o tutor quando o animal é encontrado perdido ou resgatado. Para acessar os dados, é necessário aproximar um leitor específico do microchip.

Marcelo reconheceu que muitas pessoas esperam que a tecnologia funcione como um localizador por GPS, o que ainda exigiria uma fonte permanente de energia instalada no corpo do animal.

— O microchip é muito útil para a polícia. Quando o animal é encontrado ou alguém pratica maus-tratos, é possível identificar quem é o tutor — afirmou.

Multas de até R$ 1 milhão

O deputado defendeu o endurecimento das punições aplicadas aos responsáveis por maus-tratos.

Atualmente, a legislação prevê prisão por até cinco anos nos casos envolvendo cães e gatos. Marcelo destacou ainda a criação de multas administrativas que podem chegar a R$ 1 milhão, dependendo da gravidade da ocorrência.

Segundo ele, os valores arrecadados devem financiar o tratamento veterinário dos animais vítimas das agressões.

— O sujeito bate no cachorro ou coloca fogo no animal, mas quem paga o tratamento? Uma internação pode custar R$ 20 mil ou R$ 30 mil. As multas precisam custear esse atendimento e ajudar outros animais — declarou.

O parlamentar também apoia a ampliação das penas para crimes contra cavalos, animais silvestres e outras espécies, além do aumento da punição para casos de zoofilia.

Atendimento nas delegacias

Questionado sobre a criação de mais delegacias especializadas, Marcelo Queiroz defendeu uma estrutura descentralizada.

Em vez de concentrar todas as investigações em uma única unidade na capital, o candidato propõe equipes treinadas e veterinários capazes de atender grupos de delegacias em diferentes regiões do estado.

— Se o caso acontece em Itaperuna e a delegacia especializada fica no Centro do Rio, o atendimento não funciona. É melhor distribuir profissionais preparados pelas delegacias — explicou.

O deputado argumentou que a política animal precisa estar integrada à estrutura permanente da Polícia Civil, evitando a criação de programas isolados que não alcançam todo o território fluminense.

Operação Castratio

Durante a entrevista, Marcelo Queiroz também comentou a Operação Castratio, deflagrada pela Polícia Federal para investigar suspeitas de fraudes em contratos de castração firmados pela Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

O parlamentar foi alvo de mandados de busca e apreensão da operação por ter comandado a secretaria no período investigado. De acordo com a PF, são apuradas suspeitas de direcionamento de licitação, superfaturamento, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Marcelo afirmou que continua na condição de investigado, não foi indiciado e ainda não prestou depoimento à Polícia Federal.

— Estou sendo investigado e respondendo. Nunca fui ouvido por ninguém nesse processo — declarou.

Sobre o crescimento patrimonial citado na investigação, o deputado afirmou que os bens foram recebidos depois da morte do pai, em 2023, e já haviam sido declarados durante a campanha para prefeito do Rio em 2024.

— Meu pai morreu em 2023. Eu saí do Governo do Estado em 2022. Esse patrimônio já estava declarado na minha campanha para prefeito — disse.

O candidato reconheceu que uma investigação afeta a credibilidade de qualquer político, mas voltou a defender o modelo de clínicas credenciadas e unidades móveis implantado durante sua gestão.

Tabela para clínicas veterinárias

Marcelo Queiroz afirmou que prefere um sistema no qual clínicas privadas possam se credenciar para realizar procedimentos financiados pelo poder público.

Segundo ele, levar um castramóvel com capacidade para centenas de procedimentos a uma cidade pequena pode prejudicar os veterinários que atuam permanentemente no município.

A proposta é semelhante ao credenciamento adotado pelo SUS com hospitais filantrópicos e Santas Casas.

— A gente precisa ter uma tabela animal, definir o valor de cada cirurgia e credenciar os veterinários ao longo do Estado do Rio — defendeu.

O parlamentar afirmou que o credenciamento amplia a capilaridade da política e permite atender municípios distantes sem depender do deslocamento contínuo das unidades móveis.

Críticas às empresas do mercado pet

O candidato criticou as grandes empresas de ração, medicamentos, tapetes higiênicos e outros produtos veterinários.

Para Marcelo, o mercado pet cresceu mesmo durante os períodos de crise econômica, mas ainda participa pouco das políticas destinadas aos animais abandonados.

— É muito marketing para pouco trabalho. As empresas fazem uma feira de adoção ou uma campanha pontual, mas precisam entrar nas políticas públicas de forma mais estruturada — criticou.

O deputado defendeu que parte dos tributos pagos pelo setor seja vinculada ao financiamento do SUS Animal e das ações de castração, vacinação e acolhimento.

Marcelo também propôs que a comercialização de animais de raça ajude a financiar o trabalho das ONGs e dos protetores independentes.

Segundo ele, quem possui recursos para comprar um animal poderia contribuir com políticas destinadas aos cães e gatos abandonados.

Regras para criadouros e venda de animais

O parlamentar defendeu uma regulamentação nacional mais rigorosa para os criadouros comerciais.

As regras devem incluir controle sanitário, limites reprodutivos, identificação dos animais, fiscalização das instalações e responsabilização dos estabelecimentos.

Marcelo também apoia restrições à exposição e à venda de cães e gatos em vitrines de pet shops.

Para ele, as feiras de adoção precisam seguir padrões nacionais de vacinação, castração, identificação e acompanhamento dos adotantes.

Animais comunitários e condomínios

O candidato afirmou que o novo Código Civil deverá reconhecer juridicamente os animais comunitários, cuidados coletivamente por moradores, comerciantes e trabalhadores de determinada região.

O reconhecimento, no entanto, precisa estar acompanhado por políticas de vacinação, castração e definição das responsabilidades pelo animal.

Marcelo também criticou condomínios que proíbem os moradores de alimentar cães e gatos comunitários.

— Proibir de alimentar não resolve. O que vai fazer com o animal? A política precisa organizar o cuidado, e não fingir que o problema deixou de existir — afirmou.

Sobre condomínios que tentam proibir determinadas raças ou tamanhos de cães, o deputado afirmou que as restrições costumam ser derrubadas pela Justiça.

Brasil não deve adotar eutanásia por falta de vagas

Durante a entrevista, Marcelo Queiroz criticou o modelo de alguns abrigos públicos dos Estados Unidos, onde animais podem ser submetidos à eutanásia quando não há vagas disponíveis.

O deputado afirmou que o Brasil avançou ao rejeitar esse caminho.

— Fazendo eutanásia, qualquer país resolve o problema. É exatamente isso que a gente não quer — declarou.

Para o candidato, a solução precisa combinar castração, adoção responsável, fiscalização dos tutores e financiamento dos lares temporários.

Proibição de Medicina Veterinária on-line

A formação dos veterinários também está entre as prioridades do parlamentar.

Marcelo defendeu a proibição de cursos de Medicina Veterinária realizados integralmente pela internet. Para ele, a profissão exige treinamento prático, contato com os animais e acompanhamento presencial de cirurgias e outros procedimentos.

— Não dá para colocar o animal nas mãos de um veterinário que estudou 100% do tempo on-line e nunca realizou uma cirurgia — afirmou.

O deputado também apoia a criação de uma prova nacional para os novos profissionais, semelhante ao exame aplicado pela OAB aos bacharéis em Direito.

Segundo ele, a exigência valeria apenas para estudantes que ingressassem na universidade depois da aprovação da lei, sem atingir quem já está cursando a graduação.

Animais em desastres ambientais

O candidato defendeu a inclusão obrigatória dos animais nos planos de emergência e resposta a desastres.

Segundo Marcelo, as tragédias de Petrópolis e do Sul do Brasil demonstraram que os órgãos de Defesa Civil precisam prever abrigos, atendimento veterinário, alimentação e transporte para os animais resgatados.

— O nosso trabalho precisa ser antecipar o problema. Depois que a tragédia acontece, começa a discussão sobre quem paga a conta e onde colocar os animais — disse.

O deputado também afirmou que os abrigos particulares podem participar da rede emergencial, desde que exista uma tabela de remuneração e regras de fiscalização.

Animais eletrocutados nas redes de energia

Outra proposta discutida envolve a responsabilização das concessionárias de energia pelos animais silvestres eletrocutados nos postes e fios.

Marcelo citou casos envolvendo preguiças, macacos, cobras e aves. Atualmente, as empresas indenizam consumidores quando uma descarga elétrica queima eletrodomésticos, mas não possuem obrigações equivalentes quando o acidente atinge um animal.

O parlamentar defende que as concessionárias financiem o resgate, o atendimento e a reabilitação da fauna atingida.

Futuro dos zoológicos

Marcelo Queiroz afirmou acreditar que os zoológicos tradicionais deixarão de existir ao longo do tempo.

Enquanto isso não ocorre, o candidato defende a substituição das jaulas por espaços semelhantes a refúgios, voltados principalmente aos animais resgatados e impossibilitados de retornar à natureza.

O deputado também se posicionou contra a importação de espécies que não estão adaptadas ao clima brasileiro.

— Não faz sentido trazer um urso-panda para viver no calor de 40 graus do Rio de Janeiro. No meu ponto de vista, isso é maus-tratos — afirmou.

Para ele, os zoológicos brasileiros devem priorizar espécies nativas, atividades de conservação, pesquisa e reabilitação.

Rodeios, vaquejadas e corridas

O candidato se declarou contrário ao uso de animais em circos, rodeios, vaquejadas e corridas.

— Rodeio é medieval. A vaquejada é ainda pior. É um modelo arcaico que a gente precisa superar — afirmou.

Marcelo reconheceu que a extinção das atividades não ocorrerá de forma imediata, mas defendeu uma transição com regras progressivamente mais rígidas.

O deputado argumentou que a exposição das crianças a espetáculos baseados no sofrimento dos animais ajuda a normalizar os maus-tratos.

Planos de saúde para animais

A regulamentação dos planos de saúde veterinários também foi defendida pelo parlamentar.

Segundo Marcelo, atualmente não existe uma agência responsável por fiscalizar reajustes, contratos, coberturas, períodos de carência e negativas de atendimento.

— O mercado está muito solto. O livre mercado não funciona quando a pessoa paga e não recebe o serviço na ponta — criticou.

O candidato afirmou que a regulação poderia ser realizada por uma agência já existente ou por uma nova estrutura especializada.

Pets nas praias e manutenção dos parcões

Sobre a presença de cães nas praias, Marcelo Queiroz defendeu a delimitação de trechos e horários específicos, conciliando o direito dos tutores com as regras sanitárias e o uso coletivo dos espaços.

O deputado também disse priorizar a manutenção dos parcões já existentes antes da criação de novas unidades.

Segundo ele, aproximadamente cem espaços possuem problemas simples, como cercas danificadas, bancos inadequados, pedras no piso e falta de pintura.

Marcelo afirmou que o prefeito Eduardo Cavaliere tem colaborado com a recuperação dos equipamentos.

Animais de pessoas em situação de rua

O candidato defendeu programas de assistência social capazes de atender simultaneamente as pessoas em situação de rua e seus animais.

As ações incluiriam castração, vacinação, atendimento veterinário e locais para o pós-operatório, sem obrigar o tutor a abandonar o cão ou o gato.

Marcelo relembrou uma operação realizada no Maracanã, quando gatos comunitários foram castrados e permaneceram em uma sala adaptada durante a recuperação antes de retornarem ao território.

Combate ao acúmulo de animais

Questionado sobre pessoas que acumulam dezenas ou centenas de animais sem capacidade para cuidar deles, Marcelo defendeu a atuação conjunta das áreas de saúde humana, assistência social e proteção animal.

O parlamentar também criticou programas de televisão e campanhas que romantizam o resgate indiscriminado.

— As pessoas abrem um projeto na emoção e depois não sabem como resolver. Ficam doentes, acumulam animais, começam a cometer maus-tratos e isso vira uma bola de neve — alertou.

Para ele, é preciso esclarecer que cada animal possui custos com alimentação, medicamentos, limpeza, vacinação e atendimento veterinário.

Experiência como transplantado renal

Além da pauta animal, Marcelo Queiroz falou sobre a experiência de ter passado aproximadamente dois anos realizando diálise.

O tratamento era feito três vezes por semana, durante quatro horas. Depois das sessões, o então parlamentar seguia para o trabalho.

O rim foi doado por um amigo, depois que o pai, a mãe e uma prima não puderam realizar o procedimento.

— Existe o Marcelo antes da diálise e o Marcelo depois do transplante. Essa experiência mudou completamente a minha vida — afirmou.

Presidente de uma frente parlamentar dedicada ao tema, o deputado defende que a declaração feita em vida por quem deseja ser doador de órgãos seja respeitada.

Atualmente, mesmo quando a pessoa registra sua vontade, a retirada dos órgãos após a morte depende da autorização dos familiares.

Aumento do limite do MEI

Na área econômica, Marcelo defendeu a ampliação do limite anual de faturamento dos microempreendedores individuais.

O parlamentar preside a Comissão de Indústria, Comércio e Serviços da Câmara e afirma que o teto atual impede o crescimento de pequenos negócios, como salões de beleza, cozinhas caseiras, vendedores ambulantes e prestadores de serviços.

— O MEI é a base de grande parte dos brasileiros que estão empreendendo. Quando o faturamento cresce um pouco, a mudança de tributação pode inviabilizar o negócio — afirmou.

O candidato reconheceu que a ampliação do limite reduz a arrecadação em um primeiro momento, mas considera a medida capaz de formalizar atividades e fortalecer pequenos empreendedores.

Recursos para a Biblioteca Nacional

Marcelo Queiroz também destacou sua passagem pela presidência da Comissão de Cultura da Câmara dos Deputados.

Segundo ele, o colegiado destinou R$ 23 milhões para a Biblioteca Nacional, no Centro do Rio, durante o período de reconstrução do Ministério da Cultura.

O parlamentar mencionou ainda sua participação nos debates sobre as leis Paulo Gustavo e Aldir Blanc.

Para Marcelo, um dos principais resultados de sua gestão foi evitar que a comissão se transformasse em um palco permanente de confrontos entre bolsonaristas e apoiadores do Governo Lula.

Candidatura à Prefeitura e apoio a Eduardo Paes

Depois de concorrer à Prefeitura do Rio em 2024, Marcelo Queiroz aceitou o convite para comandar a Secretaria Municipal de Administração na gestão de Eduardo Paes.

Questionado sobre a aproximação com o antigo adversário, o deputado afirmou que nenhum dos dois precisou abandonar suas posições.

— Na política é importante colocar as ideias. Algumas propostas que apresentamos durante a eleição foram incorporadas pelo prefeito. Foi bom para todo mundo — disse.

A recriação da Secretaria de Administração foi uma das principais propostas defendidas por Marcelo na campanha municipal. Ele deixou o comando da pasta em março de 2026 para disputar a reeleição.

Na eleição para o Governo do Estado, Marcelo Queiroz apoia Eduardo Paes.

— O Rio de Janeiro precisa de gestão, ordem, solução e de alguém que trabalhe 24 horas. O Eduardo tem esse perfil — declarou.

PSDB e a polarização

Filiado ao PSDB, o candidato afirmou que o partido perdeu espaço com o crescimento do bolsonarismo e a polarização entre direita e esquerda.

Para Marcelo, o perfil tucano está associado à moderação, à capacidade de ouvir diferentes posições e à busca por soluções práticas.

O deputado defendeu propostas ligadas tanto à direita quanto à esquerda. Citou as privatizações da telefonia e o Bolsa Família como exemplos de políticas que produziram resultados positivos.

— Eu não sou tão ideológico porque as pessoas querem solução. Existem boas propostas na direita e na esquerda. Seguir apenas uma linha pode dar voto, mas, na prática, não funciona — avaliou.

Trajetória

Advogado e mestre em Economia, Marcelo Queiroz iniciou a vida política no movimento estudantil da PUC-Rio.

Foi vereador do Rio, deputado estadual, secretário municipal de Meio Ambiente, secretário estadual de Agricultura, secretário municipal de Administração e deputado federal.

Em 2024, disputou a Prefeitura do Rio. Dois anos depois, concorre à reeleição para a Câmara dos Deputados pelo PSDB, com o número 4500.

Botafoguense, integra o conselho do clube e acompanha a trajetória da Botafogo Samba Clube desde os desfiles realizados na Estrada Intendente Magalhães até a chegada à Marquês de Sapucaí.

— O eleitor pode esperar um cara ponderado, que apresenta soluções e resolve. Mesmo quem não concorda comigo sabe que, quando precisa de uma castração ou tem um problema relacionado aos animais, o Marcelo Queiroz é uma referência — concluiu.

Assista à entrevista completa com Marcelo Queiroz.

Receba notícias no WhatsApp e e-mail

Clique aqui para acessar a Fonte da Notícia

VEJA MAIS

Líder religioso investigado por crimes sexuais é preso em Volta Redonda

VOLTA REDONDA/VALENÇA Um homem de 48 anos, que atuava como líder religioso e era procurado…

Marcelo Queiroz propõe lares temporários remunerados para animais resgatados

O deputado federal Marcelo Queiroz (PSDB), candidato à reeleição pelo Rio de Janeiro com o…

Idosa cai dentro de casa e é resgatada pela janela em SP

Cidades Idosa cai dentro de casa e é resgatada pela janela em SP Uma idosa…