O 14º Fórum de Lisboa, conhecido nos bastidores como “Gilmarpalooza”, começa na segunda-feira 1º reunindo ministros de tribunais superiores, integrantes do governo federal, congressistas, empresários e especialistas estrangeiros em Portugal.
O encontro, promovido pelo Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), fundado por Gilmar Mendes, terá como tema central “Nova ordem internacional, tecnologia e soberania: desafios democráticos, econômicos e sociais”.
A edição deste ano ocorre em um momento particularmente sensível para o Supremo Tribunal Federal. O evento será realizado enquanto a Corte enfrenta repercussões do escândalo envolvendo o Banco Master e discute a adoção de um código de ética para seus ministros.
Também deve servir como espaço de debate sobre inteligência artificial, soberania digital, regulação de plataformas tecnológicas e os efeitos da política externa dos Estados Unidos sobre a ordem internacional. Entre os temas previstos estão ainda os desdobramentos da atuação do presidente norte-americano Donald Trump e questões ligadas à tecnologia e governança global.
A realização do fórum também coincide com o debate brasileiro sobre a atuação das big techs e ocorre poucos dias depois das autoridades dos Estados Unidos classificarem o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas, ampliando a relevância das discussões sobre soberania, segurança e cooperação internacional que estarão presentes em diversos painéis.
Em entrevista ao UOL, na terça 26, Gilmar Mendes rejeitou a avaliação de que o caso Master ou as discussões sobre o código de ética possam afetar o encontro. Segundo o ministro, “não detectamos nenhum impacto” e haveria uma tentativa de associar artificialmente o fórum a essas controvérsias. Ele também afirmou que o evento tem caráter acadêmico e declarou que o Fórum de Lisboa integra aquilo que considera “o Brasil que dá certo”.
A lista de participantes mostra a permanência de uma forte presença do Judiciário, especialmente do STF e do STJ. Também chama atenção a ausência de alguns governadores de oposição que frequentaram edições anteriores, enquanto nomes ligados ao governo federal e à área econômica ganharam espaço na programação.
Judiciário:
- Gilmar Mendes, decano do STF;
- Alexandre de Moraes, ministro do STF;
- Flávio Dino, ministro do STF;
- Luís Roberto Barroso, ex-ministro do STF;
- Paulo Gonet, procurador-geral da República;
- Luis Felipe Salomão, vice-presidente do STJ;
- Mauro Campbell Marques, ministro do STJ;
- João Otávio Noronha, ministro do STJ;
- Rogério Schietti Cruz, ministro do STJ;
- Ricardo Villas Bôas Cueva, ministro do STJ;
- Antônio Saldanha Palheiro, ministro do STJ;
- Sebastião Reis Júnior, ministro do STJ;
- Teodoro Silva Santos, ministro do STJ;
- Benedito Gonçalves, ministro do STJ;
- Joel Ilan Paciornik, ministro do STJ;
- Luiz Alberto Gurgel de Faria, ministro do STJ;
- Marcelo Navarro Ribeiro Dantas, ministro do STJ;
- Rodrigo Mudrovitsch, presidente da Corte Interamericana de Direitos Humanos;
- Vital do Rêgo Filho, ministro do TCU;
- Benjamin Zymler, ministro do TCU;
- Antonio Anastasia, ministro do TCU;
- Jorge Oliveira, ministro do TCU;
- Aroldo Cedraz, ex-ministro do TCU.
Política:
- Hugo Motta (Republicanos-PB), presidente da Câmara dos Deputados;
- Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central;
- Aloizio Mercadante, presidente do BNDES;
- Alexandre Silveira, ministro de Minas e Energia;
- Rodrigo Pacheco (PSB-MG), senador; Camilo Santana (PT-CE), senador;
- Eduardo Leite (PSD), ex-governador do Rio Grande do Sul;
- Helder Barbalho (MDB), ex-governador do Pará;
- Raquel Lyra (PSD), governadora de Pernambuco;
- Wanderlei Barbosa (Republicanos), governador do Tocantins;
- Michel Temer (MDB), ex-presidente da República.
Convidados internacionais e acadêmicos:
- Thomas Friedman, colunista do The New York Times e vencedor de três Prêmios Pulitzer;
- Joel Mokyr, economista da Northwestern University e vencedor do Nobel de Economia de 2025;
- Iván Duque Márquez, ex-presidente da Colômbia;
- Jorge Carlos Fonseca, ex-presidente de Cabo Verde;
- Angelika Nussberger, diretora do Instituto de Direito da Europa Oriental e Direito Comparado da Universidade de Colônia;
- Dieter Grimm, ex-juiz do Tribunal Constitucional Federal da Alemanha;
- Christian Calliess, professor da Universidade Livre de Berlim;
- Dominique Rousseau, professor da Universidade Paris 1 Panthéon-Sorbonne;
- Xavier Philippe, professor da Universidade Paris 1 Panthéon-Sorbonne;
- Luís Greco, professor da Universidade Humboldt de Berlim;
- Vinicius Carvalho, professor do King’s College London;
- Gaspard Estrada, pesquisador da Sciences Po e conselheiro da London School of Economics.
Sociedade civil
- Luiza Brunet, empresária, atriz e ativista;
- Laura Schertel Mendes, diretora da ANPD e professora da UnB;
- Beto Simonetti, presidente nacional da OAB;
- Felipe Sarmento, vice-presidente do Conselho Federal da OAB;
- Juliana Bumachar, presidente da Comissão de Recuperação Judicial da OAB-RJ;
- Gustavo Chalfun, presidente da OAB-MG;
- Marcus Vinicius Furtado Coelho, presidente da Comissão Nacional de Estudos Constitucionais da OAB.
Segundo os organizadores, esta será a maior edição já realizada do Fórum de Lisboa, com mais de 450 participantes de 15 países distribuídos em 71 painéis ao longo de três dias de debates.