O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) descartou, nesta terça-feira 21, que o Brasil vá retaliar os Estados Unidos pelo tarifaço de 25% anunciado na semana passada. Segundo Alckmin, a Lei da Reciprocidade serve como um instrumento de defesa, mas deve ser usada com cautela e no momento oportuno.
“A ideia não é retaliação. Não é. Dizem que [no] olho por olho, o que pode acontecer é os dois ficarem cegos”, afirmou Alckmin. O ‘plano A’ do governo brasileiro é insistir na negociação para reverter ou reduzir a tarifa.
As declarações foram dadas após o vice-presidente se reunir representantes da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abrimaq). O Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio (MDIC) está realizando uma série de reuniões com setores mais afetados pelo tarifaço imposto pelo governo Trump. A ideia do governo é ouvir as demandas e articular o apoio aos produtores mais atingidos.
O presidente do Conselho de Administração da Abrimaq, José Velloso, afirmou que o setor apresentou uma série alternativas para apoiar o setor, como a criação de mecanismos para compensar créditos tributários acumulados, o diferimento de tributos federais para reforçar o capital de giro das empresas e a ampliação do apoio à abertura de novos mercados internacionais.
Estima-se que o tarifaço imposto pelo governo dos Estados Unidos, que começará a valer nesta quarta-feira 22, atinja diretamente cerca de 2,4 mil empresas, que respondem juntas por cerca de 18% das exportações brasileiras com destino aos EUA. Esse percentual corresponde a transações estimadas de 7,4 bilhões de dólares, na comparação com números de 2024.
O governo já anunciou, na semana passada, que para ajudar os exportadores a explorarem novos mercados e diminuírem uma eventual dependência dos EUA, a Agência Brasileira de Promoção das Exportações e Investimentos (ApexBrasil) vai implementar um plano de 130 milhões de reais para diversificar as vendas no exterior.
Vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), a ApexBrasil informou que o plano será lançado em parceria com 57 setores econômicos do País, nas mais diversas áreas, que reúnem 2,4 mil empresas exportadoras.