Roteirista de ‘Senna’ e ‘Bom Dia, Verônica’ compartilha experiências no cinema em palestra no UniFOA
Volta Redonda – O Centro Histórico-Cultural Dauro Aragão foi palco de um encontro com o roteirista Gustavo Bragança, que compartilhou suas experiências e desafios do mundo audiovisual com os estudantes da Escola de Comunicação do Centro Universitário de Volta Redonda (UniFOA). O evento, “Luz, Câmera e Ação – Encontro com o Roteirista”, proporcionou um mergulho no processo criativo por trás de produções de grande sucesso, como as séries ‘Senna’ e ‘Bom Dia, Verônica’.
Durante sua palestra, Bragança falou sobre os desafios da profissão e como trilhou seu caminho no mercado audiovisual. Com uma trajetória que passou de roteiros independentes a grandes produções de streaming, o roteirista revelou que o início de sua caminhada foi marcado pela busca de histórias autênticas e pela necessidade de aprender e experimentar diferentes formatos e estilos de narrativa. “Quando comecei, o meu maior desejo era entender como uma ideia se transforma em um roteiro. Cada história tem seu próprio processo”, disse o cineasta.
O roteirista também explicou o desenvolvimento da série Senna, produção que foi sucesso de audiência não apenas no Brasil, como também se tornou um fenômeno global. A minissérie, que retrata a vida e a carreira do lendário piloto de Fórmula 1 Ayrton Senna, se tornou um dos conteúdos mais assistidos no Brasil, com mais de 53 milhões de horas assistidas em todo o mundo, de acordo com a Netflix.
Gustavo comentou também sobre sua primeira reunião com executivos da Netflix, onde a estratégia era clara: “Na primeira reunião, a pergunta que fiz foi ‘a série é para o mercado nacional?’. A resposta foi clara: ‘Não, é para o mundo.’ Foi nesse momento que percebi o verdadeiro impacto do streaming”, lembrou Bragança, que destacou o impacto de se pensar globalmente desde o início do projeto, o que foi crucial – segundo ele – para o sucesso alcançado pela minissérie.
Após a palestra, seguiu-se uma sessão de perguntas e respostas, na qual os acadêmicos tiveram a oportunidade de perguntas algumas curiosidades para Gustavo sobre seus projetos, o mercado audiovisual e os desafios da carreira de roteirista. Entre os temas mais discutidos estava o impacto das plataformas de streaming no mercado brasileiro e internacional.
Gustavo apontou que, embora o streaming tenha aberto portas para produções brasileiras, ainda existe uma limitação quando se trata do cinema tradicional. “No cinema, os festivais internacionais continuam sendo uma grande porta de entrada. Mas, ao mesmo tempo, a visibilidade das plataformas de streaming tem dado novas possibilidades para que os roteiristas brasileiros mostrem seu trabalho para o mundo”, afirmou.
O processo de criação do roteiro de Bom Dia, Verônica – um thriller psicológico roteirizado por Gustavo que trata de temas sensíveis como violência doméstica e abuso – foi tema de perguntas feitas por estudantes que assistiam à palestra. Bragança explicou a responsabilidade do autor ao tratar dessas questões nas telonas e no streaming: “Trabalhar com temas sensíveis exige uma responsabilidade enorme. O desafio é retratar a realidade de uma forma que seja fiel, mas ao mesmo tempo respeitosa com as vítimas e com o público”, explicou.
O futuro do cinema brasileiro também esteve em pauta, e ele ressaltou a importância de incentivos públicos para a sustentabilidade da indústria cinematográfica. “Sem políticas públicas que incentivem a produção e a distribuição, muitas histórias incríveis podem nunca chegar ao público”, afirmou. Gustavo também mencionou a relevância dos festivais de cinema como ferramentas fundamentais para que produções independentes ganhem visibilidade. “Se um filme não tem o apoio certo, ele pode acabar sendo esquecido, mesmo sendo de excelente qualidade. Esse é um dos maiores desafios para os cineastas independentes no Brasil”, completou.
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