Governo lança Brasil Contra o Crime Organizado com R$ 771 milhões em quatro eixos para desarticular facções dentro e fora das prisões
O governo federal lançou o programa Brasil Contra o Crime Organizado com investimento total de R$ 771,5 milhões para desarticular as estruturas econômicas, operacionais e territoriais das organizações criminosas no país. O eixo mais imediato para a população é o de segurança nos presídios, com R$ 324,1 milhões destinados a cortar o cordão umbilical entre líderes de facções encarcerados e suas operações nas ruas.
A medida mais impactante desse eixo é a implantação de segurança máxima em 138 presídios estaduais de todo o Brasil, com uso de drones para monitoramento interno e externo, scanners corporais, detectores de metal e bloqueadores de sinal de celular. A iniciativa responde a um problema crônico do sistema prisional brasileiro: o comando remoto de crimes, tráfico e execuções feito por líderes de facções que, mesmo encarcerados, continuam dirigindo suas organizações por meio de aparelhos contrabandeados para dentro das unidades. Além do aparato tecnológico, o programa prevê a criação do CNIP (Centro Nacional de Inteligência Penal), reforço da inteligência penitenciária e capacitação de servidores.
Os outros três eixos completam a estratégia. O de asfixia financeira, com R$ 302,2 milhões, cria as Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado em nível nacional, reunindo PF (Polícia Federal), Receita Federal, Banco Central, Coaf e PRF (Polícia Rodoviária Federal) para cortar o financiamento das facções e combater a lavagem de dinheiro. O eixo de combate ao tráfico de armas recebe R$ 145,2 milhões e inclui operações nas fronteiras, rastreio de armamentos e uso de drones, helicópteros e viaturas blindadas. O quarto eixo foca no fortalecimento das investigações de homicídios, ampliando a capacidade de resposta do Estado diante da violência letal.
O objetivo central do programa é atingir não apenas a ponta armada das facções, mas também quem as financia e comanda — o chamado “andar de cima” das organizações criminosas.