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Vereadora Talita Galhardo leva à delegacia homem duas vezes na mesma noite e critica liberação após ataques na Barra

Talita Galhardo – Reprodução

A vereadora e candidata a deputada federal Talita Galhardo (PSDB) criticou a atuação da Polícia Civil depois de um homem ser conduzido duas vezes à 16ª DP (Barra da Tijuca), em poucas horas, entre a noite de terça-feira (11/8) e a madrugada desta quarta-feira (12/8). Segundo a parlamentar, mesmo diante de vídeos, relatos de ameaças e de um ataque com uma pedra contra o veículo utilizado por seu gabinete, o homem deixou a delegacia nas duas ocasiões.

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Os dois registros de ocorrência obtidos pelo DIÁRIO DO RIO confirmam que as mesmas partes estiveram envolvidas em duas ocorrências sucessivas. A primeira, registrada às 23h20 de terça-feira, foi enquadrada pela Polícia Civil como injúria, prevista no artigo 140 do Código Penal.

De acordo com o termo de declaração prestado por Talita, ela vinha recebendo reclamações de moradores da Barra sobre o comportamento do homem, identificado no documento como Jamaicon Costa da Conceição, que estaria vivendo em situação de rua na Rua Coronel Eurico de Souza Filho. Moradores teriam relatado ofensas contra transeuntes e até um episódio envolvendo um dos cães mantidos por ele.

Talita afirmou à polícia que encontrou o homem por volta das 22h30 e tentou conversar com ele. Segundo seu depoimento, ele passou a dirigir uma série de ofensas à vereadora. Mesmo depois da chegada dos policiais militares, ainda de acordo com o registro, o homem teria continuado com os insultos. A parlamentar informou também possuir vídeos do episódio e manifestou formalmente interesse em representá-lo criminalmente.

O homem foi então conduzido à 16ª DP. O registro foi encerrado às 23h30, como termo circunstanciado por injúria, com orientação para que as partes aguardassem chamado do Juizado Especial Criminal.

Segunda ocorrência aconteceu pouco depois

Pouco tempo depois, uma nova ocorrência levou as mesmas partes novamente à delegacia.

O segundo termo circunstanciado foi aberto já na madrugada desta quarta-feira, às 4h07, e registrou o episódio como dano, com enquadramento no artigo 163 do Código Penal.

Desta vez, o relato feito por um policial militar é mais grave. Segundo o documento, depois da elaboração do primeiro registro, os PMs foram novamente acionados por Talita porque Jamaicon teria arremessado uma pedra contra o veículo utilizado pela equipe da vereadora, um Toyota Hilux alugado pelo gabinete, provocando danos.

O registro policial relata ainda que o homem possuía dois cães da raça pitbull, que teriam sido usados para dificultar sua contenção pelos policiais. Na sequência, ele teria fugido em direção a uma área de mata. Na entrada do local, segundo os PMs, foi encontrado um facão de aproximadamente 80 centímetros. O homem posteriormente teria voltado a fugir pela via pública até ser alcançado e contido pelos agentes.

O veículo foi encaminhado para exame pericial. A própria 16ª DP expediu requisição ao Instituto de Criminalística Carlos Éboli para constatar o dano e apontar suas características e possível instrumento causador.

“A pedrada podia ter me matado”, diz Talita

Em vídeo divulgado depois dos episódios, Talita demonstrou revolta com o tratamento dado ao caso e afirmou que esperava um enquadramento mais grave diante da sucessão dos fatos.

“O cara duas vezes levado preso e eu junto e ele solto. Com imagens de ameaças, armas brancas. Nem reincidência, nem ameaça?”, questionou a vereadora.

A parlamentar sustenta que a pedra lançada contra o automóvel poderia tê-la atingido e provocado consequências muito mais graves.

“Depois da pedrada que podia ter me matado, ele colocou dano leve”, reclamou.

Talita também afirmou que policiais militares envolvidos nas duas ocorrências teriam demonstrado surpresa com os enquadramentos adotados na delegacia. Segundo ela, havia elementos que, em sua avaliação, poderiam justificar a apuração de outros crimes, entre eles ameaça e até tentativa de homicídio.

Carro era utilizado oficialmente pelo gabinete

Outro ponto questionado pela vereadora foi a natureza do veículo atingido. Talita afirma ter explicado na delegacia que o automóvel era alugado oficialmente por seu gabinete e utilizado durante o exercício do mandato.

No segundo registro, a dinâmica da ocorrência informa expressamente que o veículo atingido era “alugado pelo gabinete da vereadora”.

Talita afirma que questionou por que o episódio não foi tratado como dano ao patrimônio público e atribuiu a decisão ao entendimento da autoridade policial de que o autor não teria conhecimento sobre a vinculação do automóvel ao gabinete.

A vereadora classificou a situação como preocupante e criticou o fato de, em sua avaliação, a sequência de episódios não ter sido considerada no enquadramento policial.

“Tempos assustadores”, resumiu Talita.

Os dois episódios aconteceram em um intervalo de poucas horas e resultaram em registros distintos na mesma delegacia. No primeiro, o homem foi apontado como autor de injúria. No segundo, ele voltou a ser conduzido após o ataque ao veículo, a fuga e a localização do facão mencionada pelos policiais.

O DIÁRIO DO RIO deixa espaço aberto para manifestação da Polícia Civil e da defesa do homem citado na ocorrência.

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