O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), cancelou nesta segunda-feira 15 a viagem que faria a Brasília. O tour tinha como objetivo avançar nas negociações em torno do projeto de lei que prevê anistia ampla aos envolvidos nos ataques golpistas de 8 de Janeiro, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A decisão foi confirmada pelo Palácio dos Bandeirantes, mas não houve explicações oficiais sobre os motivos do recuo.
Fontes próximas ao governo paulista indicam que Tarcísio foi orientado a evitar novos desgastes públicos, especialmente após suas declarações no 7 de Setembro, quando chamou o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes de “tirano”. O ataque, combinado a críticas à condenação de Bolsonaro, teria provocado um desconforto em setores que viam o governador como uma figura política “moderada”.
A viagem original incluía encontros com líderes do Centrão, como o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que já demonstrou resistência à aprovação de uma anistia.
O governador tem se apresentado como articulador da anistia, buscando apoio entre partidos da direita e do Centrão, enquanto mantém alinhamento político e lealdade ao ex-presidente. A ação de Tarcísio é estratégica, tanto para preservar a base bolsonarista quanto para fortalecer seu projeto presidencial em 2026.