A Polícia Federal prendeu, na manhã desta quinta-feira (dia 15), o deputado estadual eleito Márcio Canella (União Brasil) e o delegado Marcus Vinicius Amim, que já comandou a Secretaria de Polícia Civil e o Detran-RJ, durante a oitava fase da Operação Unha e Carne. A investigação apura suspeitas de lavagem de dinheiro por meio de uma rede de postos de combustíveis no estado do Rio de Janeiro e possíveis conexões entre agentes públicos e grupos criminosos.
Canella foi preso em casa, em um condomínio de luxo na Barra da Tijuca, na Zona Sudoeste do Rio. Além dele e de Amim, foram presos Christiano Gaspar Fernandes, Giovanni Gaspar Fernandes, José Carlos Alves de Souza Júnior e Pablo Jukia Felix Ferreira, conhecido como Pablo Russo, inspetor da Polícia Civil.
As prisões foram determinadas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito da investigação sobre as possíveis ligações de agentes públicos com grupos criminosos que atuam no estado.
Segundo os investigadores, uma rede de postos de combustíveis no Grande Rio teria movimentado R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos em um suposto esquema de lavagem de dinheiro. A apuração busca esclarecer como os recursos eram movimentados e se havia participação ou anuência de políticos e outros agentes públicos.
Canella recebeu 197.178 votos nas eleições de 4 de outubro e foi o segundo candidato mais votado para a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj).
Nesta fase, os policiais federais cumprem seis mandados de prisão preventiva e 16 de busca e apreensão em sete municípios: Rio de Janeiro, Niterói, Angra dos Reis, Petrópolis, Armação dos Búzios, Nova Iguaçu e São Gonçalo. A Corregedoria da Polícia Civil acompanha o cumprimento dos mandados relacionados aos policiais civis investigados.
A Justiça também determinou o sequestro de bens e valores e a suspensão das atividades econômicas de 112 empresas ligadas à rede investigada. Desse total, 96 são postos de combustíveis que, segundo a PF, seriam utilizados para ocultar recursos de origem criminosa e dar aparência legal ao dinheiro.
Os investigados poderão responder, conforme a participação de cada um, por crimes como organização criminosa armada, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional, venda ilegal de combustíveis e formação de cartel, entre outras infrações que possam ser identificadas durante as investigações.
Histórico político
Márcio Canella foi prefeito de Belford Roxo, na Baixada Fluminense, após ser eleito em 2024. Deixou o cargo no início de 2026, inicialmente com a intenção de disputar uma vaga no Senado. Posteriormente, concorreu à Alerj e terminou a eleição com a segunda maior votação entre os candidatos a deputado estadual no Rio de Janeiro.
Em julho deste ano, Canella já havia sido preso em flagrante por posse ilegal de arma de fogo durante a sexta fase da Operação Unha e Carne. Na ocasião, segundo as informações divulgadas, os policiais federais encontraram um fuzil no carro do político. Canella afirmou que a arma não lhe pertencia.
Naquela etapa, ele era alvo de um mandado de busca e apreensão no âmbito da investigação sobre a rede de postos de combustíveis. A nova fase amplia as medidas judiciais e busca aprofundar a apuração sobre a atuação de agentes públicos e as possíveis relações político-institucionais do grupo.
A operação integra a Força-Tarefa Missão Redentor II, coordenada pela Polícia Federal para combater organizações criminosas no Rio de Janeiro, em consonância com diretrizes estabelecidas pelo Supremo Tribunal Federal na ADPF 635.
As investigações estão em andamento.
Foto: Divulgação/Alerj
