A RECAR foi uma das 10 empresas selecionadas pela Prefeitura do Rio de Janeiro no terceiro ciclo do programa de inovação urbana da cidade, após um processo que avaliou 58 propostas. Entre os projetos escolhidos, o Rio Eletrohub se destacou por propor um novo modelo de infraestrutura pública voltado à mobilidade elétrica.
Apresentado oficialmente no evento realizado no Porto Maravalley, o projeto propõe a implantação de um hub de recarga elétrica multimodal em via pública, integrando carregadores ultrarrápidos para veículos leves, estações para bicicletas elétricas, sistemas de troca de baterias e geração de energia solar no próprio local. A iniciativa vai além do conceito tradicional de eletroposto, ao estruturar um espaço urbano capaz de atender diferentes modais em um único ambiente.

A seleção ocorre em um contexto de forte expansão do setor. O mercado brasileiro de veículos eletrificados encerrou 2025 com 223.912 unidades vendidas, crescimento de 26% em relação ao ano anterior. Já a infraestrutura de recarga atingiu mais de 21 mil pontos até fevereiro de 2026, com aumento de 42% no período — sendo que os carregadores rápidos e ultrarrápidos avançaram 167%. O Rio de Janeiro, inclusive, já figura entre as cinco cidades com maior volume de vendas desse tipo de veículo no país.
Nesse cenário, a entrada da RECAR no programa da Prefeitura posiciona a empresa em um ponto estratégico da transformação urbana, ao propor soluções que conectam energia, mobilidade e uso inteligente do espaço público. O programa municipal permite testar projetos inovadores em ambiente real, com flexibilizações regulatórias e acompanhamento do poder público, criando um campo prático para validação de novas tecnologias e modelos de negócio.

Fundada em dezembro de 2022, a RECAR atua como uma plataforma integrada de infraestrutura de recarga elétrica, abrangendo investimento, implantação, operação e monetização. A empresa utiliza tecnologia própria para monitoramento, gestão e cobrança em tempo real, e já está presente em condomínios residenciais, empreendimentos corporativos, estacionamentos, frotas e postos de combustível. A chegada ao ambiente público representa um avanço relevante na estratégia da companhia.
Por trás dessa movimentação, há também um componente simbólico que amplia o alcance da história.

O sobrenome Capute tem forte presença na trajetória econômica e energética do estado do Rio de Janeiro. Marco Antônio Vaz Capute, engenheiro eletricista formado pela UERJ, construiu carreira na Petrobras a partir de 1979, foi diretor da BR Distribuidora entre 1999 e 2008 e ocupou o cargo de secretário de Desenvolvimento Econômico do Estado. Posteriormente, tornou-se uma das principais lideranças institucionais de Vassouras, à frente da Fundação Educacional Severino Sombra e da expansão da Universidade de Vassouras e do Hospital Universitário.
Falecido em dezembro de 2022, Marco Capute deixou um legado que combina atuação no setor energético, gestão pública e desenvolvimento regional — com impacto reconhecido em todo o estado.
A atuação de Julio Capute, à frente da RECAR, surge como uma continuidade adaptada a um novo contexto.

Se a geração anterior esteve ligada à consolidação da distribuição de combustíveis e à estrutura energética baseada em petróleo, o momento atual impõe um novo desafio: construir a infraestrutura necessária para a mobilidade elétrica em escala urbana.
Nesse sentido, a proposta do Rio Eletrohub representa mais do que um projeto piloto. Ao transformar vagas públicas em ativos energéticos e integrar diferentes formas de mobilidade, a iniciativa antecipa um modelo de cidade em que energia e deslocamento passam a operar de forma conectada.
A antiga BR Distribuidora — hoje Vibra Energia — ajudou a estruturar uma rede de milhares de postos em todo o país, garantindo capilaridade à distribuição de combustíveis. Agora, a lógica se desloca para a eletrificação e para a construção de uma nova rede, baseada em tecnologia, dados e infraestrutura urbana inteligente.
É nesse ponto que a atuação da RECAR ganha relevância.
Mais do que acompanhar uma tendência, a empresa se posiciona como agente ativo na construção dessa nova camada de infraestrutura, em um momento em que a eletromobilidade deixa de ser projeção e passa a demandar soluções concretas nas cidades.
No fim, a trajetória conecta duas fases distintas da energia no Brasil.
De um lado, a estruturação de um país movido a combustíveis fósseis.
Do outro, o início da construção da mobilidade elétrica em escala urbana.
Entre essas duas realidades, o sobrenome permanece — mas a energia que move o futuro já é outra.