O presidente nacional do PT, Edinho Silva, defendeu que o partido peça a devolução de recursos do fundo eleitoral de candidatos que descumprirem a orientação de incluir as candidaturas majoritárias da sigla em seus materiais de campanha. A cobrança foi feita em um áudio encaminhado nesta sexta-feira 18 a integrantes da Executiva Nacional do partido.
A gravação, à qual CartaCapital teve acesso, foi revelada pelo jornal O Globo. Nela, o dirigente relembra que o colegiado aprovou uma orientação para impedir a circulação de materiais eleitorais que não contenham as candidaturas majoritárias definidas pelo partido e enfatiza a defesa de uma postura rígida, propondo até ações por infidelidade partidária contra quem descumprir a determinação.
“Se a nossa militância informar a direção do PT sobre a existência de materiais que não traduzam a nossa tática eleitoral, eu penso que temos, e é isso que estou defendendo, que encaminhar ações por infidelidade partidária, pedindo a devolução do fundo eleitoral”, diz. “Não há como ter unidade partidária se não expressamos nos materiais aquilo que aprovamos coletivamente”.
O recado ocorre após integrantes do partido serem comunicados de que candidatos a deputado federal estariam omitindo a presença de Lula em seus materiais de campanha. Entre os casos identificados estão santinhos atribuídos aos deputados federais Jilmar Tatto (PT-SP), Ana Pimentel (PT-MG) e Gilmar Machado (PT-MG), que concorrem à reeleição.
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Também há relatos de que o presidente estaria sendo omitido de campanhas aos governos de estados cujos postulantes integram partidos da base aliada.
No caso de Tatto, segundo uma fotografia obtida pela reportagem que chegou a caciques petistas, um dos “santinhos” registra apenas o número do deputado federal e o do candidato a deputado estadual por São Paulo Rodrigo Ashiuchi (PL). Não há referência, na peça, à candidatura de Lula ou a Fernando Haddad (PT).
Edinho também ressaltou na gravação que a eleição deste ano é a mais importante da história recente do País. “A reeleição do presidente tem um significado histórico diante da conjuntura e dos desafios colocados no Brasil […] Não termos essa clareza na confecção dos materiais que vamos divulgar, portanto na disputa política na sociedade, é muito ruim”, completou.
Questionado por CartaCapital, Tatto disse que tomou conhecimento do caso pela imprensa e que seus materiais oficiais de campanha contam com a chapa completa.