A Prefeitura do Rio deu mais um passo para tirar do papel o Rio AI City, projeto que pretende transformar a capital fluminense em um dos principais polos globais de infraestrutura para inteligência artificial. Durante a abertura do Web Summit Rio, nesta segunda-feira (8/6), o prefeito Eduardo Cavaliere e o CEO da Elea Data Centers, Alessandro Lombardi, anunciaram um aporte de US$ 550 milhões na plataforma de infraestrutura digital da empresa, incluindo a implantação do complexo no Rio.
O investimento faz parte da primeira fase do processo de aquisição da Elea Data Centers pela I Squared Capital, gestora global de investimentos em infraestrutura. A expectativa é que esse movimento abra espaço para um ciclo de expansão que pode chegar a US$ 10 bilhões nos próximos anos.
“No ano passado, nesse mesmo palco, há exatamente um ano, a Prefeitura apresentava o mais ousado e grandioso projeto de soberania digital do nosso país: o Rio AI City. Hoje a iniciativa avança, com o primeiro aporte do fundo. Com isso, o Rio de Janeiro vai se tornar o epicentro da conectividade, energia e logística estratégica do sul-global”, afirmou Eduardo Cavaliere.
Memorando formaliza parceria para o Rio AI City
Durante o evento, Cavaliere assinou um Memorando de Entendimento com a Elea Data Centers e a Companhia Carioca de Parcerias e Investimentos (CCPar). O documento formaliza a cooperação entre as instituições para a implantação do complexo de inteligência artificial, que tem como meta colocar o Rio de Janeiro entre os dez maiores polos globais de IA até 2032.
O acordo prevê uma agenda conjunta de articulação institucional, estudos técnicos, mobilização de recursos e atração de novos parceiros públicos e privados. O memorando terá vigência de 36 meses e reforça o papel da Prefeitura do Rio como apoiadora institucional do projeto.
“O Rio de Janeiro é uma cidade vibrante, inovadora e de características únicas. A Rio AI City nasce da inquietação de aproveitar este cenário para transformar a Cidade Maravilha em um grande polo de aceleração de inteligência artificial. Esse é mais do que um projeto de IA, é uma visão de longo prazo para posicionar o Rio no centro da transformação digital, combinando infraestrutura digital, capital humano, sustentabilidade e impacto positivo. Estamos construindo um ecossistema capaz de atrair investimentos, gerar oportunidades e trazer a cidade — e o Brasil — para o centro da agenda de desenvolvimento global”, afirmou Alessandro Lombardi, CEO e fundador da Elea Data Centers.
Também presente na articulação, o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Osmar Lima, que está à frente da CCPar, destacou o papel da companhia na estruturação das parcerias. “A assinatura deste memorando representa mais um passo concreto para consolidar o Rio como referência internacional em infraestrutura digital. A CCPar continuará atuando para estruturar parcerias e criar as condições necessárias para que esse investimento gere desenvolvimento econômico, inovação e oportunidades para a cidade”.
Complexo ficará na região do Parque Olímpico
O Rio AI City integra a estratégia da Prefeitura do Rio para posicionar a cidade na economia digital. O projeto prevê a implantação de um complexo de data centers voltado para inteligência artificial na região do Parque Olímpico, na Barra da Tijuca.
A previsão é de investimentos totais de cerca de US$ 65 bilhões ao longo da próxima década. O complexo terá capacidade energética inicial de 1,5 GW, com expansão prevista para até 3 GW em 2032. O projeto já conta com o data center RJO1 em operação e entra agora na fase de construção dos novos sites que vão compor a expansão da Rio AI City.
A iniciativa tenta responder à alta demanda mundial por infraestrutura de inteligência artificial. O avanço de modelos de linguagem e aplicações de IA, como o ChatGPT, aumentou a necessidade de supercomputadores, data centers de alta capacidade e acesso a energia em grande escala.
Segundo a Prefeitura do Rio, a cidade reúne condições pouco comuns para esse tipo de empreendimento. A capital fluminense teria cerca de 3 GW de energia disponível para novos projetos, boa parte acessível no curto prazo. A combinação de energia, conectividade internacional, logística e ambiente urbano competitivo é tratada como um diferencial do Rio em relação a outros centros globais.
Após a conclusão da aquisição da Elea Data Centers pela I Squared Capital, a companhia iniciou uma nova fase de expansão de sua plataforma de infraestrutura digital, voltada para atender às demandas de inteligência artificial e computação em nuvem na América Latina.
Além do acordo com a Elea e a CCPar, a Prefeitura do Rio vem costurando uma frente institucional para viabilizar o projeto. O município também assinou memorandos de entendimento com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o BNDES, a Eletrobras e a Finep.
A expectativa é que o empreendimento gere mais de 10 mil empregos qualificados, fortaleça o ecossistema local de inovação e amplie a atração de startups, centros de pesquisa e empresas globais de tecnologia para o Rio de Janeiro.