A Polícia Federal informou que não há registro oficial de saída do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) do Brasil pelos postos de controle migratório brasileiros, embora ele tenha cruzado a fronteira com a Argentina na noite de terça-feira e seguido para os Estados Unidos, onde desembarcou na manhã desta quarta-feira 28.
Flávio utilizou um passaporte italiano para entrar no País vizinho e embarcar num jatinho particular rumo ao Equador, de onde seguiu para Miami. O documento estrangeiro do senador é um dos que deveria ter sido entregues à PF por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, mas o prazo para a entrega terminou sem que a ordem fosse cumprida.
Na primeira manifestação desde a confirmação de que o parlamentar fugiu do Brasil depois da derrota para Lula, a PF afirmou que investiga as circunstâncias do descumprimento da decisão judicial. A corporação também ressaltou que as restrições relacionadas aos documentos de viagem não justificam automaticamente a prisão do parlamentar ou a imposição de vigilância permanente.
“A existência de restrições relacionadas a documentos de viagem, por si só, não caracteriza a condição de foragido nem autoriza a realização de prisão, vigilância permanente ou outras medidas cautelares”, diz o texto.
O comunicado destaca que o pedido de medidas cautelares foi apresentado a Moraes no domingo 25, dia do segundo turno das eleições presidenciais, após a identificação de risco de que o senador deixasse o território nacional. Entre as medidas solicitadas estavam a apreensão dos passaportes, a proibição de saída do país e a restrição de contato com outros investigados. A prisão dele não foi solicitada.
A solicitação foi feita no âmbito de uma investigação que apura suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo Flávio e o advogado Willer Tomaz. Após Moraes acolher os pedidos, os passaportes comum e diplomático brasileiros do senador foram cancelados, e a PF inseriu um alerta migratório no sistema Sonar, utilizado no controle migratório.
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Na manhã de segunda-feira 26, Flávio foi intimado a entregar eventuais passaportes de outras nacionalidades em até 24 horas, mas o prazo transcorreu sem que os documentos fossem apresentados.
Apesar de não haver registro oficial de saída pelos postos migratórios brasileiros, a Direção Nacional de Migrações da Argentina confirmou a entrada do senador no País às 22h50 de terça-feira. Flávio estava acompanhado da esposa e das duas filhas e cruzou a fronteira pela Ponte Internacional Tancredo Neves, entre Foz do Iguaçu (PR) e Puerto Iguazú.
Segundo as autoridades argentinas, a família apresentou documentos de viagem válidos e não tinha impedimentos legais para entrar no País. A entrada foi registrada sem incidentes. O passaporte italiano que Flávio teria utilizado foi concedido a ele em 2023, durante o governo da primeira-ministra Giorgia Meloni.
Da cidade argentina o senador embarcou em um jatinho particular com destino a Guayaquil, no Equador, na madrugada de quarta-feira. De lá, seguiu para Miami, na Flórida, onde chegou pela manhã.