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Penduricalhos levaram conselheiro do TCE-RJ a receber quase R$ 3 milhões em um mês

Prédio do Tribunal de Contas do Estado, próximo ao Campo de Santana. | Foto: Rafa Pereira – Diário do Rio

Os sete conselheiros titulares do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro receberam valores acima do teto constitucional do funcionalismo público nos últimos meses, segundo reportagem da TV Globo e do Tempo Real. O limite hoje é de R$ 46,5 mil, mas os vencimentos foram ampliados por meio dos chamados penduricalhos.

Entre maio de 2025 e abril de 2026, os integrantes do TCE-RJ somaram R$ 11,8 milhões em pagamentos. Os valores incluem salário-base, gratificações e verbas indenizatórias.

Os pagamentos mais altos ocorreram antes da decisão do Supremo Tribunal Federal, que suspendeu, em maio deste ano, parte desses benefícios extras e limitou os adicionais a R$ 78,8 mil por mês.

Conselheiro recebeu quase R$ 3 milhões em outubro

O maior valor identificado no período foi pago ao conselheiro Rodrigo Melo do Nascimento. Em outubro de 2025, ele recebeu quase R$ 3 milhões, somando salário de R$ 388 mil e mais R$ 2,5 milhões em verbas indenizatórias por “excesso de trabalho”.

A conselheira Marianna Montebello também recebeu valores acima do teto por meses seguidos. Segundo a reportagem, ela teve vencimentos superiores a R$ 200 mil durante cinco meses e passou de R$ 800 mil em fevereiro de 2026.

Outro conselheiro citado é José Gomes Graciosa, que recebeu mais de R$ 1 milhão em outubro de 2025. No mesmo mês, o presidente do órgão, Márcio Pacheco, recebeu mais de R$ 380 mil.

Conselheiros afastados também receberam benefícios

Dois conselheiros afastados das funções no TCE-RJ também aparecem entre os beneficiados pelos pagamentos. Um deles é Domingos Brazão, preso desde março de 2024 no caso que investiga a morte da vereadora Marielle Franco.

Além do salário de R$ 35 mil, Brazão recebeu quase R$ 10 mil de auxílio-alimentação entre fevereiro e abril deste ano.

Marco Antônio de Alencar, afastado do cargo há quatro anos enquanto responde a processo por corrupção, recebeu cerca de R$ 600 mil no período analisado.

STF limitou benefícios em maio

Os valores foram pagos antes da suspensão dos penduricalhos pelo STF. Até maio, a legislação permitia que cada instituição definisse e distribuísse benefícios extras. No caso do TCE-RJ, as maiores quantias foram pagas sob a justificativa de licença compensatória.

Com a nova regra, os adicionais passaram a ter limite mensal de R$ 78,8 mil. Após a aplicação dos novos critérios, os conselheiros do TCE-RJ tiveram redução nos rendimentos e passaram a receber dentro do limite definido pela regulamentação.

O TCE-RJ afirmou que os valores pagos antes de maio seguiram os mesmos parâmetros vigentes em outras instituições do sistema de Justiça.

Com informações da TV Globo e do Tempo Real.

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