07/10/2026 05:57

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Paes e Ceciliano trocam farpas e elevam tensão entre PSD e PT no Rio

Reprodução

A costura por alianças para a eleição deste ano no Rio ganhou novos contornos nos últimos dias com a troca pública de acusações entre o prefeito Eduardo Paes (PSD), e o secretário de Assuntos Legislativos do Palácio do Planalto, André Ceciliano (PT). O embate expôs fissuras na relação entre aliados nacionais e antecipou o clima de disputa em torno da sucessão no Palácio Guanabara e do palanque presidencial no estado.

Paes afirmou que Ceciliano estaria articulando uma candidatura na eleição indireta para o governo fluminense, prevista para ocorrer caso o governador Cláudio Castro (PL) se desincompatibilize para disputar o Senado. Segundo o prefeito, o petista representaria a continuidade do grupo político do ex-presidente da Assembleia Legislativa Rodrigo Bacellar (União), preso e afastado do cargo sob suspeita de envolvimento em um esquema de vazamento de informações ligadas ao crime organizado.

“O padrinho da candidatura do André Ceciliano é o Bacellar. Ceciliano e Bacellar são a mesma coisa”, disse Paes, em declaração ao jornal O Globo, acrescentando que não pretende ser “refém do mesmo grupo do qual o governador Cláudio Castro é refém”.

“Fala nervosinha”

Alvo das críticas, Ceciliano reagiu classificando a fala do prefeito como desproporcional. Disse não ser candidato a nenhum cargo majoritário em 2026 e afirmou que Paes lhe atribui um protagonismo exagerado.

“Em nenhum momento coloquei meu nome como candidato a coisa alguma em 2026, a não ser a deputado estadual. Percebo na fala nervosinha do prefeito que ele está dando uma importância a mim maior do que eu imaginava, e isso me deixa sinceramente lisonjeado”, afirmou.

O petista reconheceu que tem sido procurado por deputados para discutir a eleição indireta, mas condicionou qualquer movimento a um projeto que ajude a fortalecer a reeleição do presidente Lula (PT) no Rio de Janeiro, estado que ele classificou como “berço do bolsonarismo”.

Neutralidade na eleição presidencial

Na réplica, Ceciliano subiu o tom e passou a questionar o compromisso de Paes com Lula. Segundo ele, o prefeito e seu entorno já teriam sinalizado que pretendem manter neutralidade na disputa presidencial e estariam se aproximando de nomes ligados ao bolsonarismo no estado.

“É chegada a hora de o prefeito se manifestar publicamente se será, de fato, um aliado do presidente nas eleições deste ano ou agirá de acordo com a sua fama de político que só pensa em si, sem palavra e que não tem gratidão por aqueles que um dia o ajudaram quando ele mais precisou” disse o secretário do Planalto.

Paes, que admitiu nesta semana a intenção de disputar o governo do estado, reiterou apoio a Lula, mas fez questão de afirmar que não pretende nacionalizar sua campanha.

Eleição indireta e o vácuo no governo

O pano de fundo da disputa é a sucessão temporária no Palácio Guanabara. O Rio está sem vice-governador desde que Thiago Pampolha deixou o cargo para assumir uma vaga no Tribunal de Contas do Estado (TCE). Com a provável saída de Cláudio Castro no início de abril, caberá à Assembleia Legislativa eleger, de forma indireta, um governador-tampão para comandar o estado até o fim do ano.

Rodrigo Bacellar, citado por Paes, foi preso e afastado da presidência da Alerj por suspeita de ter vazado informações de uma investigação que apura sua ligação com o Comando Vermelho. O prefeito afirmou que não apoiará qualquer candidatura associada ao deputado e ameaçou expulsar do PSD quem votar em nomes patrocinados por ele.

“Se Bacellar estiver patrocinando alguma candidatura, para que essas práticas de conexão com o crime continuarem no estado, não vai ter apoio do PSD”, declarou. Paes afirmou ainda que levou o alerta diretamente ao presidente Lula em conversa recente, dizendo que o PT deveria ter cautela para não se associar a grupos sob suspeita.

Nos bastidores, circula a hipótese de um acordo entre Paes e Castro para que o atual secretário estadual da Casa Civil, Nicola Miccione (PL), seja o escolhido na eleição indireta, com a missão de manter o governo em funcionamento sem interferir na disputa de outubro. Ceciliano, por sua vez, poderia se fortalecer politicamente caso vencesse a votação na Assembleia, tornando-se candidato natural à reeleição.

Enquanto o calendário avança, a troca de farpas sinaliza que a disputa pelo Rio deve ir além da esfera local e testar, mais uma vez, os limites da aliança entre PT e PSD no plano nacional.

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