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O que pensa a esquerda que não embarca na candidatura de Lula – CartaCapital

Se decidir comparecer aos debates a partir de agosto, Lula (PT) será o solitário representante do campo progressista, enquanto a direita e a extrema-direita terão, no mínimo, uma dobradinha com Flávio Bolsonaro (PL) e Ronaldo Caiado (PSD). O petista não será, contudo, o único candidato de esquerda na eleição, embora essas “alternativas” patinem na busca por espaço e por se tornarem mais conhecidas.

Quatro legendas da chamada esquerda socialista lançaram pré-candidaturas à Presidência da República: Partido Comunista Brasileiro, com Edmilson Costa; Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado, com Hertz Dias; Unidade Popular, com Samara Martins; e Partido da Causa Operária, com Rui Costa Pimenta.

Apesar das diferenças ideológicas entre as siglas — mais divisivas do que o eleitor em geral pode supor —, todas se apresentam à esquerda de Lula. Consideram-se oposição de esquerda ao governo e evitam antecipar se apoiariam o petista em um eventual segundo turno.

Ponto comum entre essas pré-candidaturas é a dificuldade nas pesquisas. Na mais recente rodada do Datafolha, divulgada na última sexta-feira 22, Samara obteve o melhor resultado na esquerda socialista, com 3% das intenções de voto no principal cenário de primeiro turno. Pimenta registrou 1%, enquanto Hertz não pontuou e Costa não apareceu na relação.

CartaCapital conversou com os quatro pré-candidatos para entender os motivos que os levaram a se lançar à disputa. Confira os destaques:

Samara Martins, pré-candidata da UP à Presidência. Foto: Divulgação

UP: Samara Martins

Estreante em pleitos presidenciais, será, ao que tudo indica, a única mulher a concorrer neste ano. Segundo ela, a UP tem um programa socialista e de transformação radical, que não se identifica com pré-candidaturas que “defendem manter e administrar o capitalismo”.

Entre suas pautas centrais, aponta o reajuste do salário mínimo em 100%, o fim da escala 6×1 e a revogação das reformas trabalhista e da Previdência. Defende também a reestatização de empresas estratégicas, e a suspensão e a auditoria da dívida pública.

“Assim, vamos ter dinheiro para investir com compromisso na educação e na saúde públicas, fortalecendo as escolas e as universidades, o SUS e outras áreas sociais”, declarou. “Como única pré-candidata mulher à Presidência, o combate à violência contra as mulheres também é uma das questões principais.”

Samara não se comprometeu com uma aliança em torno de Lula em um eventual segundo turno. “Debateremos isso com o conjunto do partido quando for oportuno”, respondeu. Para ela, as atuais regras do sistema eleitoral privilegiam “quem tem dinheiro” e tornam o processo desigual. Disse, porém, acreditar na possibilidade de ser competitiva na campanha “com um programa socialista”.

“Em uma pesquisa em que colocaram o meu nome (AtlasIntel de abril), entre os que não votaram no segundo turno em 2022, estou na liderança com 28,4%”, destacou. Neste recorte, o segundo colocado foi Renan Santos (Missão), com 21,9%.

Hertz Dias, candidato a presidente pelo PSTU. Foto: Romerito Pontes/Divulgação

PSTU: Hertz Dias

O pré-candidato afirma que o crescimento da extrema-direita durante o ciclo de governos do PT é também um produto da “decadência do País” e da “crise do capitalismo a nível mundial”.

É urgente, de acordo com ele, “disputar a consciência da classe trabalhadora”, razão pela qual o PSTU teria resolvido, mais uma vez, lançar um voo próprio ao Palácio do Planalto.

Postulante a vice-presidente em 2018 na chapa de Vera Lúcia (PSTU), Hertz define como eixos de sua pré-candidatura uma política para o campo, com a “desapropriação do agronegócio” e uma “reforma agrária sob o controle dos trabalhadores, com titulação de territórios quilombolas e demarcação de terras indígenas”; a suspensão do pagamento da dívida pública e a “estatização do sistema financeiro”; uma política para os “setores oprimidos”, como negros, mulheres, LGBTs e indígenas, prevendo uma reparação histórica; e “a expropriação dos 250 bilionários” — segundo ele, não seria possível aplicar seu programa sem “tocar na grande propriedade privada que pertence sobretudo a esses indivíduos”.

O PSTU também não antecipa o que fará em um possível segundo turno com a presença de Lula, mas Hertz Dias lembra que o partido declarou “voto crítico” no petista em 2022. “Se Bolsonaro ganhasse, eles teriam um campo aberto para tentar fechar o regime.”

É possível que, diante de um embate direto entre Lula e Flávio Bolsonaro — uma projeção plausível, de acordo com as mais recentes pesquisas —, o PSTU discuta novamente as ameaças às liberdades democráticas contidas em um eventual novo governo de extrema-direita.

Edmilson Costa, pré-candidato do PCB à Presidência. Foto: Divulgação

PCB: Edmilson Costa

Secretário-geral do partido, Costa afirma que uma eleição em dois turnos serve exatamente para as siglas apresentarem seus respectivos programas à população. Assim, ressaltou, seu objetivo é promover uma “disputa política”, levantando temas que, segundo ele, as demais candidaturas não têm condições de propor.

“Por exemplo, a luta contra o imperialismo, a solidariedade militante a Cuba, Irã, Palestina e todos os povos que lutam contra a velha ordem imperial, a revogação das contrarreformas, a recomposição do poder de compra do salário mínimo, e o fim do monopólio das comunicações”, exemplificou. Ele foi candidato a vice-presidente em 2010, na chapa de Ivan Pinheiro (PCB).

Isso começaria, segundo o pré-candidato, com a convocação de uma Constituinte, a fim de “transformar a maioria social em maioria política”. Suas propostas passam pela estatização do sistema financeiro, por medidas trabalhistas como jornada de 30 horas e recomposição do poder de compra dos salários, pela estatização do sistema educacional e do sistema de saúde, e pela “construção de uma nova ordem internacional”.

“Vamos discutir com o movimento sindical uma recomposição do poder de compra do salário, especialmente do salário mínimo, para que ele chegue no período de cinco anos ao salário do Dieese, por volta de um pouco mais de 7 mil reais nesse período.”

Sobre o segundo turno, diz que o partido não decidiu o que fará. “Mas, com certeza, lutaremos contra a extrema-direita, o que significa dizer que lutaremos contra o bolsonarismo.”

Rui Costa Pimenta, pré-candidato do PCO à Presidência. Foto: PCO/Reprodução

PCO: Rui Costa Pimenta

Presidente nacional da legenda e candidato à Presidência em outras três eleições — 2002, 2006 e 2014 —, Pimenta diz haver um “certo esgotamento” com a política do PT, ilustrado pelas dificuldades de governabilidade no terceiro mandato de Lula.

Isso impõe, segundo o pré-candidato, “a discussão de uma perspectiva nova para o País”.

Ele defende apresentar na campanha discussões “estruturais”. “Problemas como a desindustrialização, as privatizações — que se transformaram em um sorvedouro estrangeiro de recursos do Brasil — a dívida pública e, sobretudo, as condições de vida da população.”

Outro eixo será, de acordo com Pimenta, “a defesa dos direitos democráticos da população”. Entre os partidos de esquerda, o PCO é o mais crítico em relação ao Supremo Tribunal Federal, especialmente ao ministro Alexandre de Moraes. “Temos sido muito críticos da censura que se estabeleceu no País, então achamos que esta também é uma batalha que deve ser travada nas eleição.”

Rui Costa Pimenta afirmou não haver qualquer decisão sobre o que fazer no segundo turno. Disse apenas não descartar a possibilidade de apoiar Lula.

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