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Marcelo Freixo lança livro sobre crime organizado no Rio

Obra será apresentada em Resende e Volta Redonda e aborda milícias e bastidores

O ex-deputado e Marcelo Freixo lança, na próxima segunda-feira, dia 4, em Resende e Volta Redonda, o livro “Viver é Perigoso – Minha Travessia no Rio”, uma autobiografia que percorre sua trajetória pessoal e política e oferece um retrato contundente do Rio de Janeiro nas últimas duas décadas. A obra, que será lançada às 14h, no IFRJ, em Resende, e às 19h, na UFF, em Volta Redonda, foi escrita em parceria com Bruno Paes Manso e faz um mergulho profundo nas últimas duas décadas da história do Rio de Janeiro, expondo as raízes e a expansão do crime organizado nas estruturas de poder do estado. O ator Wagner Moura assina o prefácio.

A narrativa propõe uma reflexão sobre o futuro do Rio de Janeiro e do Brasil. Freixo revisita sua origem na periferia de Niterói, sua atuação como professor e ativista de direitos humanos e sua trajetória parlamentar marcada pelo enfrentamento a estruturas criminosas que operam na política e na economia do estado. O resultado é um relato pessoal que se entrelaça com a própria história contemporânea do Rio, uma cidade de contrastes, onde cultura, política e violência convivem em tensão permanente. Com o objetivo de desvendar a simbiose entre o crime, polícia e política, o livro expõe os bastidores das investigações que confrontaram autoridades e grupos paramilitares, demonstrando como a luta pela democracia e pela segurança pública no estado exige embates e riscos extremos de seus protagonistas.

O avanço das milícias e a resistência no parlamento

Desde seus tempos como professor de História e mediador de conflitos em motins no sistema penitenciário, Freixo narra como a violência estrutural se fortaleceu no Rio de Janeiro. Contudo, o grande destaque da obra recai sobre a sua atuação investigativa no parlamento, período em que liderou frentes decisivas contra as máfias que dominam territórios.

O autor relembra a tensão de ter presidido a histórica CPI das Milícias, cujos desdobramentos marcariam para sempre a sua carreira política e a sua própria vida. O livro relata como se estruturam os grupos criminosos, que visavam lucros milionários por meio de loteamentos ilegais e monopólio de serviços básicos, operando com a conivência de agentes que deveriam combatê-los.

A memória de Marielle Franco e os riscos da vida pública

Em passagens contundentes, Freixo resgata a memória de Marielle Franco, vereadora e ex-assessora de seu gabinete assassinada em março de 2018. Ao descrever a sensação de acompanhar o julgamento dos assassinos de Marielle, o autor expõe o choque de ouvir, perante o tribunal, que a sua própria execução havia sido a primeira encomenda feita pelos mandantes do crime aos pistoleiros.

Apoiando-se na célebre reflexão de João Guimarães Rosa de que “viver é muito perigoso”, a autobiografia constrói uma narrativa de resiliência. “O perigo pode dar sentido à vida, não necessariamente ligada ao medo”, escreve Freixo. Ele conclui que “o medo nos humaniza, mas não deve nos paralisar. Precisamos estar dispostos a escolher riscos para a vida ganhar direção”.

O lançamento de “Viver é Perigoso” apresenta-se como um documento indispensável para quem deseja compreender a engrenagem política e criminal do Rio de Janeiro. A obra convida o público a conhecer as pressões e as estratégias de sobrevivência de um homem que transformou o próprio medo em combustível para lutar por justiça.

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