24/05/2026 18:52

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Lula defende Ricardo Couto no Rio e diz que Alerj poderia indicar “um miliciano”

Ricardo Couto e Lula – Foto: Ricardo Stuckert / PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva esteve na manhã deste sábado (23) na Fiocruz, em Manguinhos, na Zona Norte do Rio, para a inauguração de novas instalações do Centro de Desenvolvimento Tecnológico em Saúde (CDTS). Durante o evento, Lula fez um aceno direto ao governador em exercício do Rio de Janeiro, o desembargador Ricardo Couto, e se colocou à disposição para ajudar o estado na área de segurança pública.

Ao discursar, Lula elogiou a presença de Couto no comando interino do governo e afirmou que a decisão da Justiça foi correta. O presidente também fez críticas duras à influência de grupos criminosos no território fluminense. “A Justiça tomou uma decisão que acho correta de colocar você como interino até as eleições.”

Em seguida, o presidente disse que o governador em exercício deve aproveitar o período no cargo para enfrentar políticos ligados à milícia. “Ninguém quer que você faça uma ponte, as pessoas querem que você trabalhe para prender políticos que fazem parte de uma milícia organizada.”

O presidente também declarou que o estado precisa retomar áreas dominadas por grupos criminosos. “Não é possível que uma cidade como o Rio tenha territórios tomados pela milícia. Vamos juntos devolver os territórios para o povo.”

Em uma das falas mais fortes do discurso, Lula disse que, caso a escolha do governador interino tivesse passado pela Alerj, o resultado poderia ser outro. “Eu nunca tinha te visto, mas sabia que, se a Assembleia tivesse que indicar, viria um miliciano.”

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Ricardo Couto agradece e diz que portas do Rio estão abertas

Antes da fala do presidente, Ricardo Couto discursou rapidamente e agradeceu ao governo federal pelas iniciativas anunciadas na Fiocruz. O governador em exercício afirmou que o estado está aberto a investimentos e parcerias na área da saúde. “Como governador em exercício e cidadão fluminense, gostaria de fazer uma palavra de agradecimento ao presidente Lula e ao governo federal pelas iniciativas.”

O desembargador também citou Milton Nascimento ao defender a ampliação do acesso à saúde.“Parafraseando Milton Nascimento, a saúde deve ir aonde o povo está.”E completou: “As portas do Estado do Rio estão abertas para todo o incentivo à saúde.”

Fiocruz recebe investimentos em tecnologia e terapias contra o câncer

Lula participou do evento acompanhado da primeira-dama Janja da Silva, do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e do presidente da Fiocruz, Mário Moreira.

Além da inauguração das novas instalações do CDTS, o presidente lançou o Centro de Desenvolvimento e Produção de Terapias CAR-T e entregou 42 veículos do programa Agora Tem Especialistas – Caminhos da Saúde e do Samu para o estado.

O governo federal afirma que as medidas buscam fortalecer o Sistema Único de Saúde (SUS) e ampliar a capacidade de atendimento em diferentes regiões do Rio de Janeiro.

Foram investidos R$ 370 milhões no prédio-sede do CDTS/Fiocruz, centro especializado no desenvolvimento de produtos e tecnologias voltadas a vacinas, fármacos, biofármacos, reativos e métodos de diagnóstico para o SUS.

Já o Centro de Desenvolvimento e Produção de Terapias CAR-T recebeu investimento de R$ 330 milhões. A estrutura faz parte do Programa para Ampliação e Modernização de Infraestrutura do Complexo Econômico-Industrial da Saúde (PDCEIS), vinculado ao Novo PAC.

A proposta é tornar mais acessível uma tecnologia usada no tratamento do câncer. Segundo Alexandre Padilha, a terapia pode custar cerca de US$ 400 mil no exterior, mas a intenção do governo é oferecê-la gratuitamente pelo SUS.

Padilha critica Flávio Bolsonaro e fala em abandono dos hospitais federais

Durante o evento, Alexandre Padilha fez críticas ao senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O ministro afirmou que os hospitais federais do Rio foram alvo de abandono durante o governo Jair Bolsonaro. “O Rio de Janeiro tem seis hospitais federais e três institutos de saúde. No governo anterior, eles eram controlados por um poderoso chefão, um senador.”

O ministro também acusou o senador de ter influência sobre indicações e contratos nas unidades federais. “Era quem indicava os diretores, quem fechava os contratos. E era o filho do presidente, o Bolsonarinho.”

Segundo o ministro, o governo Lula teve de recuperar essas unidades a partir de 2023. Ele citou ainda o Hospital Cardoso Fontes, em Jacarepaguá, ao falar sobre a presença de milícias em estruturas públicas.“O Hospital Cardoso Fontes tinha estruturas entregues à milícia. Os médicos precisavam pagar pedágio para usar o estacionamento.”

Lula evitou comentar diretamente as declarações sobre Flávio Bolsonaro, mas brincou com o tom do discurso do ministro. “Passei a vida inteira achando que o Fidel Castro falava muito. Nunca tinha visto o Padilha tão solto.”

Evento encerra calendário dos 125 anos da Fiocruz

A agenda concluiu o calendário oficial dos 125 anos da Fiocruz. Também participaram do evento o prefeito do Rio, Eduardo Cavaliere (PSD-RJ), a ex-ministra da Saúde Nísia Trindade, recém-filiada ao PT, e os deputados federais Jandira Feghali (PCdoB-RJ), Benedita da Silva (PT-RJ), Laura Carneiro (PSD-RJ) e Chico Alencar (PSOL-RJ).

Prefeitos de municípios contemplados com novos veículos também estiveram presentes.

No discurso, Lula defendeu investimentos em ciência e tecnologia e elogiou o papel da Fiocruz durante a pandemia. O presidente também voltou a falar sobre a importância de compartilhar conhecimento científico. “Investimento em pesquisa é algo que muitos não gostam de fazer, porque pode não ter um resultado positivo.”

Ele também citou encontro recente com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao defender que o Brasil busque cooperação com países dispostos a compartilhar tecnologia. “Não tenho preferência pela China, pela Rússia. Tenho preferência por quem quer compartilhar conhecimento.”

Na parte final da agenda, o presidente anunciou a entrega de 40 micro-ônibus do programa Agora Tem Especialistas – Caminhos da Saúde para 38 cidades fluminenses, em investimento de R$ 23,3 milhões. Também foram entregues duas vans ao estado e uma ambulância do Samu para São João de Meriti.

Com informações d´O Globo

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