27/05/2026 01:00

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Dirigentes do PT do Rio trocam acusações e escancaram racha no partido

senador Lindbergh Farias (PT-RJ)

A cúpula do PT fluminense deixou a diplomacia de lado e levou para as redes sociais uma disputa que vinha sendo travada nos bastidores. O prefeito de Maricá e vice-presidente nacional do partido, Washington Quaquá, e o deputado federal Lindbergh Farias, líder do governo na Câmara, trocaram acusações públicas que envolveram ainda a presidente nacional da legenda, Gleisi Hoffmann, e o secretário especial de Assuntos Parlamentares do governo Lula, André Ceciliano.

O embate, que começou com críticas de Quaquá sobre o uso da “máquina federal” para fins políticos, ganhou tom pessoal. Lindbergh respondeu chamando o correligionário de “desprezível” e dizendo que ele “tem cheiro de esgoto”. Por trás da troca de ofensas, estão as disputas internas do PT no Rio e os interesses de cada grupo na formação das chapas para as eleições de 2026.

Críticas à cúpula e acusações de uso político da máquina federal

Em vídeo publicado nas redes sociais, Quaquá acusou Lindbergh, Ceciliano e Gleisi Hoffmann de usarem suas posições no governo federal para “fazer política própria” e de descaso com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O prefeito de Maricá se referia a um evento em Casimiro de Abreu (RJ), onde Lindbergh e Ceciliano discursaram ao lado do prefeito local, Ramon Gidalte (PL).

“O presidente Lula é citado só no final e por um segundo. Já o prefeito Eduardo Paes (PSD), provável candidato ao governo do estado, nem é mencionado”, escreveu Quaquá. Em tom mais duro, ele enviou mensagens a aliados reforçando as críticas:

“Aqui no Rio, o uso da máquina federal por Lindbergh e Ceciliano serve só pra eles! Não falam sequer do Lula! Não organizam nada pra fazer campanha pro presidente Lula e Eduardo Paes!”, escreveu. O dirigente também atacou Gleisi Hoffmann:

“Ministra Gleisi, pare de usar a máquina do governo federal pra fazer política particular! Não vamos tolerar isso!”, afirmou.

Lindbergh rebate e chama Quaquá de “desprezível”

A reação de Lindbergh foi imediata. Pelas redes, o deputado disse ter “preguiça e sensação de perda de tempo” ao responder a Quaquá, a quem classificou como “baixo nível”, “desprezível” e de “cheiro de esgoto”.

Ele defendeu Gleisi Hoffmann e André Ceciliano, afirmando que as obras citadas por Quaquá foram incluídas no PAC no início do governo Lula, antes de Gleisi assumir o ministério. “Fico me perguntando por que um ataque tão gratuito à Gleisi, assim como a perseguição a Benedita, tentando impedir sua candidatura ao Senado”, escreveu Lindbergh.

O parlamentar ainda acusou Quaquá de adotar “posições avessas ao PT”, lembrando episódios em que o prefeito defendeu anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro e a PEC da Blindagem, o que, segundo ele, “prejudicou a retomada política do partido”.

Disputa pelo Senado acirra divisão no PT fluminense

O estopim da briga é a disputa interna pela vaga do PT ao Senado nas eleições de 2026. O grupo de Lindbergh, Ceciliano e Gleisi defende a candidatura da deputada federal Benedita da Silva, apoiada também pela ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, e pelo presidente da Embratur, Marcelo Freixo.

Do outro lado, Quaquá tenta emplacar o cantor Neguinho da Beija-Flor, que pretende filiar ao partido, e defende que o sambista teria “potencial popular” semelhante ao de figuras como Romário. O prefeito de Maricá, aliado de Eduardo Paes, chegou a propor o nome de Fabiano Horta, seu ex-secretário e ex-prefeito, como vice na eventual chapa do prefeito do Rio. Sem sucesso, passou a defender Neguinho como alternativa ao Senado.

Ceciliano reage e fala em “machismo” contra Gleisi

Também citado, André Ceciliano respondeu às acusações. Em vídeo, destacou que sempre menciona Lula em seus discursos e classificou de “machista” a insinuação de que Gleisi seria manipulada politicamente.

“Chega a ser uma piada o prefeito de Maricá falar em uso da máquina pública em benefício próprio, com o histórico que tem”, afirmou. “Compreendo a subserviência cega de Quaquá a Eduardo Paes, mas quando o prefeito do Rio confirmar sua candidatura, o PT decidirá democraticamente, pelo voto, que posição tomar”, completou.

Neguinho surpreende e declara apoio a Benedita

A disputa ganhou novo capítulo na sexta-feira (10), quando a deputada Benedita da Silva revelou ter recebido uma ligação do próprio Neguinho da Beija-Flor declarando apoio à sua pré-candidatura.

“Neguinho me ligou e disse que a candidata dele ao Senado sou eu”, contou a parlamentar, lembrando que foi madrinha de casamento do sambista. A declaração contradiz Quaquá, que havia anunciado semanas antes o lançamento da pré-candidatura de Neguinho pelo PT.

Histórico de atritos e controle da legenda

O grupo de Quaquá comanda hoje o diretório estadual do PT. O presidente é seu filho, Diego Zeidan, que também assumiu a Secretaria de Habitação do Rio após o acordo político com Paes.

Nos últimos meses, Quaquá e Anielle Franco já haviam trocado farpas. Em janeiro, ele sugeriu inocência dos irmãos Brazão, acusados do assassinato de Marielle Franco, o que levou Anielle a acionar a Comissão de Ética do partido. Em seguida, Quaquá reagiu acusando a ministra de ter indicado um “funcionário fantasma” em Maricá, o que ela nega.

Lula observa disputa que ameaça unidade no estado

O Planalto acompanha com preocupação o avanço das brigas internas no PT do Rio. A disputa, segundo aliados, põe em risco o alinhamento com Eduardo Paes e a estratégia do governo de tirar das mãos da direita pelo menos um dos três maiores Estados do país (RJ, SP e MG). A interlocutores, Lula tem reiterado a necessidade de “baixar a temperatura” e evitar rupturas locais que prejudiquem o projeto nacional do partido em 2026.

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