15/05/2026 08:46

  • Home
  • Politica
  • Como o PSOL quer chegar a 2026, segundo sua presidente – CartaCapital

Como o PSOL quer chegar a 2026, segundo sua presidente – CartaCapital

Às vésperas do ano eleitoral, o PSOL definiu duas prioridades centrais: garantir a reeleição de Lula e ampliar de forma consistente sua bancada na Câmara dos Deputados e nos Legislativos estaduais, afirmou a presidenta nacional da sigla, Paula Coradi.

Com Guilherme Boulos dedicado ao projeto petista e fora da disputa por uma vaga na Câmara, o partido reorganiza suas cartas para manter o peso eleitoral em 2026. Entre as apostas estão a deputada Érika Hilton, o deputado estadual paulista Guilherme Cortez e Natalia Szermeta, dirigente do partido e esposa do ministro da Secretaria-Geral da Presidência.

Na corrida pelo Planalto, o PSOL espera que Lula incorpore um conjunto de reivindicações que incluem o fim da escala 6×1, o encerramento definitivo de práticas derivadas do antigo Orçamento Secreto — declarado inconstitucional pelo STF em 2022, mas reeditado pelo Centrão para manter o controle sobre fatia dos recursos da União — e políticas voltadas a uma transição energética justa.

“A gente ainda está num contexto em que a extrema-direita é uma força política relevante. Para nós, a construção da unidade, onde for possível e onde caiba o nosso programa, deve ser a orientação do próximo ano”, afirmou Coradi em entrevista a CartaCapital. “Mas, sobretudo, vamos focar nas composições em que caibam nossas ideias”.

A dirigente falou à reportagem durante uma agenda em Aracaju (SE), onde iniciou conversas sobre a sucessão estadual. Até recentemente, psolistas locais defendiam, junto ao PT, uma aliança contra o governador Fábio Mitidieri (PSD). Diante do movimento petista de reaproximação com o mandatário, o partido passou a considerar uma candidatura própria.

Na conversa, a psolista disse que o governo Lula tem trabalhado para viabilizar o fim da escala 6×1 (quando se é trabalhado seis dias com o direito a um de descanso), embora reconheça que a pauta esbarra na correlação de forças do Congresso, que considera “muito desfavorável à agenda popular”. Para ela, a saída é ampliar a mobilização social, como ocorreu na derrubada da PEC da Blindagem, quando milhares de brasileiros foram às ruas, em setembro.

“Quando o Congresso usa pautas-bomba para chantagear o governo, quem está sendo chantageado é o povo brasileiro”, observa.

Confira os destaques a seguir. 

CartaCapital: O que está nos planos do partido para 2026?

Paula Coradi: A nível nacional, nossa prioridade é reeleger o Lula presidente, né? Então nós vamos, nacionalmente, envidar os nossos esforços para a Presidência. Afinal de contas, a gente ainda está num contexto em que a extrema direita é uma força política relevante. Pra nós, a construção da unidade, onde for possível e onde caiba o nosso programa, deve ser a nossa orientação política do próximo ano.
Nós vamos focar nessas composições em que caibam nossas ideias também. Vamos focar nas eleições de deputado federal e ampliar as bancadas de deputados estaduais. Esse vai ser o foco do PSOL pro ano que vem.

Na hora de renovar nossas alianças, a nível nacional, nós também vamos apresentar uma série de reivindicações, que passam pelo governo assumir o fim do Orçamento Secreto, assumir o compromisso de valorização do salário mínimo, aumentar os investimentos sociais, uma série de outras medidas, e um comprometimento com uma transição climática justa. Nós ainda estamos em discussão, mas esses devem ser os principais pontos.

CC: Lula depende de alianças com partidos como MDB, PSD, União Brasil. Isso, muitas vezes, deixa partidos menores — como PSOL, PCdoB, PV — escanteados na hora da divisão de espaços. Não causa frustração?

PC: Pra nós, não. Lula foi eleito em 2022 com um programa muito compatível com o nosso. Então a contradição não está do nosso lado, está do lado deles. Nós não apoiamos o Lula ou o governo por busca de espaço político. Nós apoiamos porque acreditamos no que é justo, no que é correto e no que expressa nossa política. Vamos defender isso independente do que nós tenhamos de cargo.

CC: O tema das 6×1 ganhou muita adesão das ruas e das redes sociais. O PSOL apresentou isso ao governo. Qual foi o retorno do Planalto? E como a senhora vê essa dificuldade, essa resistência no Congresso?

PC: O governo federal tem se esforçado para transformar essa pauta numa agenda que seja vitoriosa, né? De que a gente conquiste e amplie esse direito. Mas a gente entende que a correlação de forças dentro do Congresso é muito desfavorável. Hoje a gente tem um Congresso que não está preocupado com a pauta do povo, com a agenda popular.

Ainda assim, nós provamos no dia 21 de setembro que a mobilização social é muito importante. Ela é capaz de mudar a correlação de forças. Foi quando nós derrubamos a PEC da Blindagem. Acredito que o fim da escala 6×1 tem apoio de 70% dos brasileiros e brasileiras. Então é uma pauta que pode sim ser conquistada mesmo com um Congresso tão desfavorável, mesmo com os interesses voltados para outros lugares. A mobilização social tem capacidade de arrancar conquistas e vitórias.

CC: A senhora citou a mobilização da PEC da Blindagem, que levou milhares às ruas. Tivemos também mobilização contra a PEC da Devastação e outros temas. Virou-se a chave?

PC: Acredito que tem a ver com o processo de mobilização que nós temos apostado desde o início do governo. Além das mobilizações de rua, nós também, no nosso campo político, realizamos o plebiscito popular, que foi importante pra manter a mobilização acesa. A PEC da Blindagem foi tão escandalosa que conseguiu furar nossa própria bolha e promover uma mobilização mais ampla, assim como a luta pelo fim do 6×1. Eu acho que isso foi fundamental: conseguimos ampliar pras pessoas, pros artistas, pras mídias independentes. Conseguimos falar além de nós mesmos, vamos dizer assim.

CC: A ida de Boulos ao governo não enfraquece a disputa legislativa?

PC: Enxergamos a Érika Hilton como uma grande puxadora de votos. Até mesmo como uma das principais seguidoras da defesa do fim da escala 6×1, ela tem se consolidado como uma grande liderança, ampliou sua presença na sociedade, a capilaridade. Então, acredito que tem capacidade de ocupar esse espaço que o Boulos vai deixar, porque ele vai estar focado na eleição presidencial e não vai mais concorrer.

Também apostamos em outras figuras públicas, principalmente na renovação da nossa bancada. Temos o Guilherme Cortez, deputado estadual por São Paulo, o ex-presidente do PSOL [Juliano Medeiros], que vai ser candidato federal. A Natalia Szermeta, companheira do Boulos, também vai ser candidata. Além disso, temos uma excelente bancada que provavelmente vai ampliar a votação, como a Sônia [Guajajara], a Luciene [Cavalcante]. Então acho que a gente consegue passar bem.

CC: Qual sua leitura sobre o capítulo mais recente do estremecimento entre o governo Lula e a cúpula do Congresso?

PC: A relação sempre foi muito tensa, né? A gente tinha uma expectativa de que o Hugo Motta [presidente da Câmara] fosse mais transparente na condução dos trabalhos, e não é isso que a gente tem vivenciado. Acredito que este não é um problema do governo, mas do País. Porque, à medida que o Congresso, tanto no Senado quanto na Câmara, se utiliza de pautas-bomba pra chantagear o governo, não é o governo que está sendo chantageado, mas o povo brasileiro. Espero que, nas eleições do ano que vem, a gente consiga mudar essa correlação de forças.

CC: Com a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro, aceleraram as discussões sobre quem será o presidenciável da direita. Isso impacta e ajuda a reeleição de Lula?

PC: Com a prisão do Bolsonaro houve uma dispersão muito grande da extrema-direita. Há uma indefinição de cenários muito grande. Mas no nosso campo o cenário está muito bem definido, muito bem desenhado. Nós estamos muito confiantes de que o presidente Lula vai se reeleger, independente com quem for. Afinal de contas, é isso que as pesquisas indicam. Então estamos muito conscientes de que o Lula será reeleito e de que essa dispersão, no final do dia, acaba ajudando. Será uma eleição dura, mas estamos confiantes na vitória.

Clique aqui para acessar a Fonte da Notícia

VEJA MAIS

Operação Sem Refino: Cláudio Castro e dono da Refit são alvos da Polícia Federal

RIO A Polícia Federal deflagrou nesta sexta-feira, dia 15, a Operação Sem Refino, que tem…

Polícia Civil captura suspeito de envolvimento em homicídios ligados ao tráfico em Barra Mansa

BARRA MANSAAgentes da 90ª Delegacia de Polícia de Barra Mansa prenderam, no início da noite…

Mulher é presa por maus-tratos contra os próprios filhos

Uma mulher foi presa em Queimados, na Baixada Fluminense, acusada de maus-tratos contra os próprios…