08/11/2026 10:53

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Cláudio Castro nega favorecimento à Refit e chama acusação de “absurdo”

Foto: GERJ

Alvo da Operação Sem Refino, da Polícia Federal, o ex-governador do Rio Cláudio Castro publicou um vídeo nas redes sociais para se defender das suspeitas de favorecimento à Refit, antiga Refinaria de Manguinhos, controlada pelo empresário Ricardo Magro.

Na gravação, Castro afirma estar à disposição das autoridades e nega ter atuado em benefício da empresa. A operação, autorizada pelo Supremo Tribunal Federal, apura suspeitas de irregularidades no setor de combustíveis, ocultação patrimonial, dissimulação de bens e evasão de recursos ao exterior. Também foram determinados bloqueio de cerca de R$ 52 bilhões em ativos financeiros e suspensão das atividades econômicas de empresas investigadas.

O ex-governador afirmou que o Rio de Janeiro foi o único estado a conseguir cobrar impostos devidos pela Refit. “Conseguimos garantir um acordo que já devolveu mais de 1 bilhão de reais aos cofres públicos. Então, pergunto, quem estaria beneficiando devedores e, ao mesmo tempo, sendo o único a conseguir cobrar o pagamento de dívidas?”, disse Cláudio Castro.

Castro rebate suspeita sobre lei apelidada de “Lei Ricardo Magro”

No vídeo, Cláudio Castro também contestou a suspeita de que teria sancionado a Lei Complementar 225/2025, apelidada de Lei Ricardo Magro, para atender a interesses da Refit. Segundo a investigação, a norma teria criado condições favoráveis ao grupo. A defesa do ex-governador sustenta que a lei seguiu critérios técnicos e legais.

Para Castro, a acusação não se sustenta porque a empresa já tinha um acordo de pagamento com o estado antes da criação da lei. “Mais um absurdo. A verdade é que antes mesmo da criação dessa lei, essa empresa já possuía um acordo de pagamento com o estado, o que prova que não há relação entre os fatos”.

O ex-governador também disse que a renegociação de parte das dívidas ocorreu por decisão judicial baseada em uma lei estadual aprovada em 2022, de origem parlamentar. “A empresa somente conseguiu renegociar uma parte das suas dívidas a partir de uma decisão judicial que obrigou o estado a cumprir uma lei estadual, aprovada em 2022, de origem do parlamento e de autoria do presidente à época, André Ceciliano, do Partido dos Trabalhadores”.

PF aponta suposto direcionamento da máquina estadual

A Polícia Federal sustenta que a gestão de Cláudio Castro teria direcionado órgãos do Governo do Rio para atender interesses do grupo de Ricardo Magro. Segundo a investigação, a atuação teria alcançado diferentes áreas da estrutura estadual, incluindo órgãos ligados à fazenda, meio ambiente, procuradoria e segurança pública. No relatório encaminhado ao STF, os investigadores afirmam que o caso seria a “mais latente e exitosa frente de espoliação do Estado do Rio de Janeiro pela criminalidade organizada nos últimos anos”.

A corporação também menciona a suposta capilaridade do grupo dentro da estrutura estatal fluminense. Para os investigadores, enquanto participava de reuniões sobre combate ao crime organizado, Castro também teria comparecido a evento patrocinado pela Refit e mantido contato com Ricardo Magro.

Cláudio Castro nega as irregularidades. A defesa afirma que todos os procedimentos da gestão obedeceram à legislação, inclusive os ligados à política de incentivos fiscais do estado.

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