BARRA DO PIRAÍ
Indústrias de processamento de aço de Barra do Piraí voltaram a sofrer com a falta de luz nesta semana, após as chuvas que atingiram o município na quarta-feira (30). Somente no polo industrial de Dorândia, que concentra três indústrias e mais de 800 colaboradores, foram mais de 30 horas sem energia, entre o fim da tarde de quarta e o início da madrugada de sexta (2), acumulando prejuízos e incertezas sobre a retomada dos turnos e da produção.
Além da falta de energia, os empresários também reclamam da falta de informação, o que impossibilita a tomada de outras medidas como a dispensa do turno e a contratação de um gerador de energia.
De acordo com Haroldo Filho, presidente da Aproaço (Associação das Indústrias Processadoras de Aço do Estado do Rio de Janeiro), o episódio é mais um caso que ilustra a fragilidade energética a qual as empresas estão submetidas no estado. Haroldo também fez duras críticas ao serviço prestado, que estaria comprometendo o cumprimento de contratos e onerando a produção no sul Fluminense.
“Não há uma justificativa aceitável para que uma empresa passe mais de 30 horas sem energia e sem ter a correta dimensão do que está ocorrendo. Nos últimos anos, a Light tem prestado um péssimo serviço no estado, mas havia uma expectativa que melhorasse após a renovação da concessão, o que pelo visto não está acontecendo. Além do prejuízo, que no final das contas a empresa acaba absorvendo, existem centenas de trabalhadores que precisam ser orientados quanto à condução para irem embora ou chegar para um novo turno. É preciso ter um espaço ventilado de forma adequada para o descanso e alimentação dos colaboradores. Nem entramos ainda no período de chuvas intensas, o que preocupa ainda mais de como serão os próximos meses”, destacou Haroldo.
Apesar de retomar a prestação de serviço na madrugada, novas quedas de energia foram registradas no polo de Dorândia na tarde desta sexta-feira. E segundo o presidente da Aproaço, a produção foi novamente paralisada e todo o material precisou ser descartado.
“Todo o processo de corte é milimétrico e segue um rigoroso padrão. Então, quando há esse pisca-pisca, e as máquinas são interrompidas, mesmo que por segundos, não se pode garantir sua qualidade e toda a matéria prima vira sucata. Já tivemos empresas na região que tiveram prejuízos milionários com a queima de máquinas importadas, devido a frequente ocorrência de oscilações na rede e quedas. Precisamos que a Light melhore a qualidade do serviço prestado ou teremos uma chuva de ações buscando a reparação desses danos”, concluiu.