As monitoras de creche cruzaram os braços durante uma greve de três dias (22, 23 e 24) esta semana em Resende. O movimento, primeiro enfrentado pelo governo Tande, foi promovido pelo Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação (Sepe), com apoio da Associação dos Profissionais da Educação Municipal de Resende (APMR). A categoria reivindica o cumprimento da Lei federal 15.326, de janeiro deste ano, que enquadra os professores da educação infantil como profissionais do magistério. Até que isso aconteça, o caminho promete ser árduo.
Segundo o diretor do Sepe, Beto Almeida, a nomenclatura ‘monitor(a) de creche’, adotada por Resende, é uma manobra para o município descumprir a lei. Ele disse ainda que os próximos rumos do movimento seriam definidos em assembleia. Já a diretora da APMR, Jaqueline Ferraz, informou que, além da forte chuva que caiu na cidade no primeiro da greve, as monitoras foram ‘recepcionadas’ no pátio da prefeitura pela Guarda Civil Municipal, “que estava armada até os dentes para receber só mulheres, praticamente”, embora os agentes não tenham sido truculentos, segundo ela.
Jaqueline acrescentou que diversas monitoras relataram terem sofrido assédio atribuído a diretoras de creche, como ameaças de desconto dos dias parados na folha de pagamento. A reportagem também tentou ouvir o posicionamento da prefeitura, mas, até o fechamento desta edição, não havia recebido retorno. No entanto, o espaço permanece aberto, à espera de um pronunciamento.
“Nós fomos à prefeitura para falar com o prefeito, que não estava ou não queria estar, fugiu, a nosso ver. Conversamos com o procurador do município, que prometeu uma audiência com o prefeito, mas que estão vendo um mecanismo para cumprir a lei… Que é uma lei federal, não é pra ficar se discutindo, não vale a desculpa que não tem dinheiro, porque a receita de Resende vem crescendo substancialmente”, disparou Beto.
Jaqueline acrescentou que, em média, as monitoras de creche de Resende recebem um salário bruto mensal de cerca de R$ 1.700, valor que subiria para mais de R$ 5 mil, em caso de enquadramento. Ela informou ainda que cerca de 150 das quase 220 monitoras que atuam nas 26 creches municipais aderiram à greve. Desse total, 110 teriam participado diretamente da manifestação no pátio da prefeitura. “A taxa de adesão das monitoras, por incrível que pareça, foi algo histórico em Resende. Nunca teve uma taxa de adesão tão alta quanto nessa paralisação desses três dias. A gente teve creches completamente paradas”, completou.
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