Sob forte comoção, familiares e amigos se despediram de Anabella da Silva Cardoso, de 18 anos, que foi velada na Capela 4 do Cemitério Jardim da Saudade, em Sulacap, na Zona Oeste do Rio, neste sábado (7). A jovem acabou morta pelo próprio companheiro, Anderson Barbosa Alencar, no último domingo (1º), em Rio das Pedras, Zona Sudoeste.
Durante a cerimônia de despedida, os entes queridos vestiram camisas com a foto da jovem com a frase: “Justiça pela Anabella. Sua vida não será esquecida. Sua memória segue viva em nossos corações”. Eles também deram as mãos e se abraçaram. Uma foto dela quando era criança também foi mostrada no velório. Logo após, o corpo seguiu para o cortejo até o local do sepultamento.
Pai da vítima, André Cardoso ressaltou o quanto a jovem era amada e também fez um apelo para o que o responsável pela morte pague pelo crime. “Menina nova, carinhosa, um amor de pessoa. Não é a toa o tanto de gente que tem aqui, mais de cem pessoas […] Só aí você já tem o tamanho da dimensão do quanto ela era querida, amada por todos. A gente segue muito triste, indignado pela forma como aconteceu isso e a gente pede justiça. Que a pessoa que cometeu o crime contra a minha filha, pague. Que vá a jure popular e fique por muito tempo na cadeia”, afirmou ele.
Tio da jovem, Michael Souza também lamentou a perda, mencionando o apelido carinhoso dela. “A gente nunca vai aceitar a perda, ainda mais da forma que foi. Uma forma trágica, uma forma que não é justa. A Bella era uma menina tranquila, feliz, alegre. Então, a gente fica bastante triste e indignado”. Ele ainda cobrou as autoridades, explicando o motivo da família ter se mobilizado durante o velório:
“A gente espera que a justiça seja feita. Demonstrar que nossa manifestação para que a justiça seja feita, seja feita de verdade. Que o júri não possa olhar para ele e ver um menino inocente, que fez algo sem querer. Não existe você dar um tiro na cabeça de uma pessoa sem querer. Com certeza ele teve intenção e nós temos provas que ele já ameaçava ela e ela não conseguiria sair desse relacionamento porque ele a ameaçava. A gente não sabia como que ele a ameaçava, mas a gente tem provas que ele ameaçava. Então, as provas vão chegar nas mãos das autoridades policiais e a gente espera que a justiça seja feita.”
O caso foi registrado na DHC (Delegacia de Homicídios da Capital). Responsável pelas investigações, o delegado Andre Felippe Cavalcante afirmou que Anderson inicialmente foi detido por tentativa de feminicídio.
No entanto, após a morte de Anabella, a tipificação do crime mudou: “Ele foi preso em flagrante, inicialmente por feminicídio tentado, que se consumou posteriormente”, disse o delegado, que completou: “O caso já foi encaminhado à Justiça”. Durante a ação, ele também foi detido por posse ilegal de arma de fogo de uso permitido.
Prisão
Anderson foi preso em flagrante, nesta segunda, horas após atirar e matar Anabella. Policiais da Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) o localizaram na região Central da cidade. A jovem chegou a ser socorrida e levada em estado gravíssimo para o Hospital Municipal Souza Aguiar. De acordo com a direção da unidade, o protocolo para confirmação diagnóstica de morte encefálica foi aberto na tarde de segunda.
A investigação teve início na noite de domingo, quando os agentes receberam informações de que um homem havia atirado na cabeça da companheira, na comunidade de Rio das Pedras. Ao ser localizado, Anderson afirmou que o disparo teria ocorrido acidentalmente, enquanto manuseava uma pistola dentro da residência. Segundo a versão apresentada por ele, após atingir a companheira, jogou a arma no chão e prestou socorro à vítima.
No entanto, durante as buscas no imóvel, os policiais não encontraram a pistola no local indicado pelo homem. O armamento estava escondido na laje da residência, entre tijolos e telhas, dentro de uma bolsa que também continha um revólver, munições e carregadores, incluindo um modelo alongado. A reportagem tenta contato com a defesa de Anderson Barbosa. O espaço está aberto para manifestação.
Feminicídio
O feminicídio é o assassinato de uma mulher cometido por razões do sexo feminino. Ou seja, ocorre quando o crime envolve violência doméstica, familiar ou menosprezo e discriminação à dignidade e ao gênero da vítima.
A Lei do Feminicídio está prevista no código penal desde 2015 e definiu uma pena maior do que nos casos de homicídio. A Lei nº 14.994, de 9 de outubro de 2024, no entanto, aumentou ainda mais: o tempo de prisão para os crimes de feminicídio passaram de 12 a 30 anos para 20 a 40 anos de reclusão.