06/11/2026 23:59

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“Não podemos perder VR para o crime”, afirma Coronel Menezes, ex-comandante-geral da PM

A escalada da violência em Volta Redonda exige uma resposta firme e permanente do Estado. A avaliação é do deputado estadual eleito Coronel Menezes (PL), ex-secretário de Estado de Polícia Militar e ex-comandante-geral da corporação. Ele esteve na Cidade do Aço na quarta-feira (dia 4), onde acompanhou a situação da segurança pública e discutiu medidas de enfrentamento à atuação de facções criminosas.

            Durante entrevista ao programa Fato Popular, apresentado pelo comunicador e vereador Betinho Albertassi (Republicanos), na Rádio 88 FM, Menezes classificou o cenário como inaceitável e destacou a importância estratégica do município para o Sul Fluminense.

            “Volta Redonda, que é o coração do Sul Fluminense, não merece todo esse cenário de violência, essa guerra insana por retomada de território”, afirmou.

            Um dos pontos de maior preocupação é o Complexo Vila Brasília, onde a disputa entre grupos criminosos provocou episódios de violência. Na madrugada de domingo (dia 1º), um ataque contra policiais militares que atuavam na região levou a Prefeitura a solicitar reforço das forças de segurança. A crise também afetou a rotina dos moradores e levou à adoção de atividades escolares remotas em unidades da região.

            Menezes defendeu uma atuação mais incisiva das forças de segurança, com investimentos em inteligência, tecnologia e operações permanentes. Para ele, a presença policial nas comunidades precisa ser acompanhada de ações capazes de desarticular as estruturas criminosas e responsabilizar os envolvidos.

            “O vagabundo só entende a linguagem da bala e da pólvora. Então eles precisam entender que lá tem autoridade, lá a força do Estado vai entrar de forma permanente”, declarou o oficial. O coronel acrescentou que, em situações de resistência armada, a responsabilidade pelo confronto deve ser atribuída a quem ataca os policiais.

Críticas à legislação penal

            Ao comentar um episódio de tortura contra uma mulher, Menezes classificou o caso como demonstração da ousadia das organizações criminosas e de seu enfrentamento à autoridade do Estado.

            “Aquilo é inadmissível. É um tipo de coisa em que a gente volta para uma prática de Idade Média. Uma demonstração de desafio real, uma ousadia contra a ação das polícias e que precisa ser duramente rechaçada”, afirmou.

            O deputado eleito pelo PL também criticou a legislação penal brasileira e defendeu mudanças para reduzir a reincidência criminal. Segundo ele, 70% das pessoas presas pela Polícia Militar seriam reincidentes nos mesmos crimes. Menezes afirmou ainda que policiais encontram frequentemente suspeitos com dezenas de anotações criminais que continuam em liberdade.

            “Não tem como a gente postergar mais uma ação de endurecimento de um Código Penal que está claramente desconectado da realidade”, declarou.

            Na avaliação do coronel, o Congresso Nacional precisa avançar na discussão de medidas mais rigorosas, inclusive sobre a responsabilização de adolescentes envolvidos em crimes graves.

 

Articulação política

            Durante a entrevista, Menezes também destacou a participação da Prefeitura nas políticas de segurança pública. Ele elogiou a administração do prefeito Neto (PP) e citou iniciativas como a implantação do Batalhão de Ações com Cães (BAC), a previsão de instalação de um batalhão do Comando de Policiamento Ambiental (CPAm) e os investimentos na estrutura de segurança do município.

            Betinho Albertassi também ressaltou a contribuição do coronel durante sua passagem pelo comando da Polícia Militar e agradeceu a disposição em ajudar Volta Redonda. O vereador defendeu a união de forças políticas na busca por soluções e cobrou comprometimento das autoridades diante da situação enfrentada pelos moradores.

            Após a entrevista, Menezes cumpriu agenda no gabinete do prefeito Neto, onde discutiu a crise na segurança pública do município e possíveis estratégias de enfrentamento à violência. Ele também afirmou que pretende levar as demandas do Sul Fluminense ao governador eleito, Douglas Ruas (PL).

 

Trajetória

            Eleito deputado estadual pelo PL com 46.700 votos, Menezes tem 54 anos e acumula 36 anos de carreira na Polícia Militar. Formado em Direito e Engenharia Civil, atuou nas áreas de planejamento, inteligência, operações e administração da corporação. Entre 2024 e 2026, ocupou o comando-geral da PM fluminense e a Secretaria de Estado de Polícia Militar.

            Durante sua trajetória, esteve à frente da corporação na Operação Contenção, realizada nos complexos do Alemão e da Penha, na capital fluminense, em outubro de 2025. A ação terminou com 122 mortos, entre eles cinco policiais. As circunstâncias das mortes seguem sob investigação. Ao longo da carreira, Menezes recebeu condecorações como as medalhas Tiradentes e Pedro Ernesto.

            Agora eleito para a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), ele afirma que pretende atuar para fortalecer a segurança pública na região. Para o coronel, a situação de Volta Redonda ultrapassa os limites do município e exige mobilização política e institucional.

            “A população não pode passar por esse tipo de coisa. É inaceitável”, afirmou, defendendo o direito dos moradores de circular livremente e utilizar os espaços públicos com tranquilidade.

            Ao ampliar o discurso para o estado, Menezes concluiu: “O Rio é o tambor de ressonância desse país e merece viver livre de facção, de barricada, de fuzil, de vagabundo. Os cariocas e fluminenses são pessoas de bem”.

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