Senador afirma que deixou o Brasil por medo de perseguição política, acusa a Justiça de agir contra a oposição e diz que comandará movimento contra o governo Lula do exterior
ESTADOS UNIDOS
Flávio Bolsonaro (PL) publicou uma carta nas redes sociais em que contesta o resultado da eleição presidencial, acusa o Supremo Tribunal Federal (STF) de perseguição política e anuncia que pretende liderar a oposição ao governo Lula a partir do exterior. No documento, o senador afirma ter deixado o Brasil para proteger a família e diz que continuará atuando politicamente mesmo fora do país. Ele tinha se intitulado como verdadeiro presidente eleito do Brasil, apagou a primeira carta e trocou o termo por líder.
No texto, Flávio sustenta que houve fraude no segundo turno das eleições, realizado no domingo, 25, e questiona decisões da Justiça Eleitoral. Ele também acusa o STF de agir para silenciar adversários políticos e afirma que o país vive um período de restrições à liberdade de expressão.
“Não fugi do Brasil, eu saí pelo Brasil”, escreveu o senador. Segundo ele, a decisão de levar a família para os Estados Unidos foi motivada pelo que classifica como instrumentalização política da Justiça brasileira. Na carta, Flávio agradece ao presidente norte-americano, Donald Trump, e ao presidente argentino, Javier Milei, pelo apoio.
O parlamentar também compara sua situação à de figuras históricas que viveram no exílio, como Rui Barbosa, Charles de Gaulle e José Martí, além de citar opositores do governo venezuelano. Ele afirma que pretende continuar mobilizando seus apoiadores e apresentar uma estratégia de atuação política nos próximos dias.
Ao se dirigir a aliados, entre eles senadores, deputados e governadores, Flávio diz que assumirá os riscos que, segundo ele, outros políticos não podem correr. No encerramento, afirma que sua saída do país não representa abandono dos eleitores e que continuará defendendo a democracia, os direitos humanos e a liberdade no Brasil.
A saída do país ocorreu depois que o ministro Alexandre de Moraes, do STF, determinou que Flávio entregasse os passaportes à Polícia Federal. O senador não cumpriu o prazo estabelecido pela decisão que era até terça-feira, 27. Ele havia afirmado anteriormente, em publicação nas redes sociais, que permaneceria no Brasil para organizar a oposição ao governo Lula.
Ao final da carta, Flávio afirma que sua saída não representa abandono dos eleitores e sustenta que a disputa política continuará. A manifestação foi publicada após sua chegada a Miami, nos Estados Unidos, nesta quarta-feira.
O então senador contesta as decisões tomadas pela Justiça, especialmente a de prorrogação de duas horas no horário da votação emitida pelo ministro Cristiano Zanin. O que ele não fala na carta é que o seu partido fez também o pedido para a prorrogação do horário. Apenas em duas horas foram registrados menos de 35 mil votos nas urnas. Lula venceu Flávio por 4,4 milhões votos a mais.
As afirmações de Flávio Bolsonaro, que não apresentou provas, contrariam até mesmo a postura do seu partido, o PL, e contrastam com a afirmação de vitória de Luiz Inácio Lula da Silva pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O Partido Liberal reconheceu o resultado, mas disse que questionamentos levantados precisam ser esclarecidos.

