21/07/2026 09:26

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a leitura do Planalto sobre a ofensiva comercial de Trump – CartaCapital

Brasileiros e americanos irão às urnas em breve. Em outubro, será escolhido o presidente aqui. Em novembro, deputados e senadores nos Estados Unidos. Em novembro, os Estados Unidos renovam toda a Câmara dos Deputados e parte do Senado. No Palácio do Planalto, a avaliação é que os dois processos eleitorais tendem a interferir na relação bilateral e reduzem as chances de um alívio no novo tarifaço mposto por Washington.

Declarações públicas do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, não deixam dúvida de que a diplomacia americana quer a vitória de Flavio Bolsonaro contra Lula. Ao anunciar em 16 de julho a data para a vigência do segundo tarifaço, Rubio escreveu em uma rede social que o petista é o culpado da medida. “Suas políticas econômicas são ruins para os americanos e ruins para os brasileiros”, disse.

Em junho, Rubio havia participado de uma audiência pública no Senado norte-americano e listado nações amigas de Washington na América Latina — o Brasil não foi mencionado. Ressalvou, contudo, que haveria eleição por aqui, uma forma de sugerir que a situação poderia mudar em caso de vitória da oposição.

A confirmação do “tarifaço 2” não retira o Brasil das negociações. O objetivo é ampliar a lista de exceções, como ocorreu após a primeira rodada de sobretaxas. No entanto, com a proximidade da eleição presidencial brasileira e os sinais públicos de Rubio em favor de Flávio Bolsonaro, não há ilusão de que essas negociações vão progredir, segundo um colaborador de Lula.

As eleições legislativas norte-americanas também entram nos cálculos do governo brasileiro. Em novembro, os eleitores dos EUA renovarão toda a Câmara e parte do Senado. As informações que chegam a um ministro lulista apontam para uma possível vitória do Partido Democrata, de oposição a Trump, na Câmara. No Senado, o cenário é considerado mais incerto.

Uma derrota republicana nas duas casas poderia elevar a pressão política sobre Trump. O próprio presidente reconheceu esse risco em janeiro. “Se não vencermos as eleições de meio de mandato, eles encontrarão um motivo para me destituir”, afirmou.

No governo brasileiro, também se acompanha a possibilidade de Trump tentar testar os limites constitucionais para permanecer no poder além do segundo mandato. A legislação dos EUA só admite dois, daí que o líder americano terá de convencer a Suprema Corte e o Congresso de que a restrição vale apenas para governos consecutivos, o que não é o caso dele, que está no poder a suceder Joe Biden.

Ainda assim, auxiliares de Lula não esperam que uma eventual derrota de Trump no Congresso provoque uma mudança profunda na política externa dos Estados Unidos, sobretudo na América Latina. A avaliação é que o acirramento da disputa interna americana não alteraria, por si só, a estratégia de Washington para a região.

Essa postura está expressa na “Estratégia de Segurança Nacional” lançada no fim do ano passado pela Casa Branca. Trump considera que o Hemisfério Ocidental é quintal americano e deve alinhar-se a ele contra a China. Nessa concepção, as Américas e a Groenlândia integram aquilo que o governo americano chama de “Ocidente”.

O Brasil é um dos últimos bastiões da América Latina a resistir a esse porrete. A região, porém, tem assistido ao avanço de governos de direita e afinados com o trumpismo, como as vitórias recentes de Keiko Fujimori no Peru e de Abelardo de la Espriella na Colômbia.

Esse cenário tende a impor dificuldades à política externa de um eventual quarto governo Lula, avalia o colaborador presidencial. Cercado por mandatários de direita, o petista teria o desafio de identificar quais formas de integração regional ainda seriam possíveis.

E a relação de Lula com Trump, como fica a partir de agora, com o “tarifaço 2”? “Vai continuar pragmática”, diz o colaborador. 

Após o “tarifaço 1”, anunciado em julho de 2025, os dois presidentes construíram uma surpreendente proximidade, e por iniciativa do americano, que fez comentários públicos lisonjeiros sobre Lula na Assembleia-Geral anual da ONU dois meses depois. Por causa dessa relação, o brasileiro e seu governo têm evitado criticar Trump diretamente no “tarifaço 2”. A artilharia concentra-se em Marco Rubio.

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