O delegado de Polícia Civil Franquis Dias Nepomuceno, que já comandou a 93ª DP (Volta Redonda), é um dos seis presos na operação deflagrada nesta quinta-feira (9) pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro que investiga denúncias de irregularidades no IRM (Instituto Rio Metrópole). Entre os suspeitos presos estão também o diretor da instituição, Maurício Silva Knoploch dos Santos, pai do deputado estadual Alexandre Knoploch (PL), e o presidente do instituto, Davi Perini Vermelho, o “Didê”.
A ação faz parte da investigação sobre um suposto esquema de desvios de recursos públicos do IRM. Franquis Nepomuceno foi nomeado titular da delegacia de Volta Redonda no início de janeiro de 2019. Ele assumiu substituindo Celso Gustavo Ribeiro. Franquis ficou em Volta Redonda, no entanto, somente até outubro daquele ano, quando foi transferido para a 73ª DP (São Gonçalo). Atualmente, o delegado ocupava a Diretoria de Desenvolvimento Metropolitano Integrado do IRM.
Também foram presos o procurador do Estado Marcelo Lopes da Silva, a ex-fiscal do IRM Caroline Soares Barros e Amanda Íthala Santos da Paschoa. Segundo o Ministério Público, as investigações começaram após uma auditoria determinada pela gestão do governador em exercício Ricardo Couto. A apuração aponta que o IRM teria celebrado contratos considerados ilegais que movimentaram R$ 86,2 milhões entre julho de 2022 e maio de 2026.
De acordo com a denúncia, empresas contratadas pelo instituto repassavam parte dos recursos ao Instituto BIO (Brazilian Institute of Organics). A entidade é apontada como “de fachada”. De lá, o dinheiro era sacado em espécie. Segundo o MP, o objetivo era dificultar o rastreamento de valores desviados.
Além das prisões, foram cumpridos nove mandados de busca e apreensão na capital, em São Gonçalo e Teresópolis. Outros seis denunciados também são investigados por suposta participação no esquema. Para parte deles, a Justiça determinou medidas cautelares, como uso de tornozeleira eletrônica, comparecimento periódico à Justiça e proibição de deixar o país.
Até o momento desta publicação, a defesa de nenhum dos denunciados havia se manifestado. O espaço segue aberto para haja algum posicionamento. O Instituto Rio Metrópole é uma autarquia criada em 2018 com a finalidade de articular e monitorar o Plano Estratégico de Desenvolvimento Urbano Integrado da Região Metropolitana do Rio. É vinculada à Secretaria estadual de Governo.
Governo emite nota – O governo do estado do Rio de Janeiro divulgou nota a respeito da operação. Confirmou que os indícios de irregularidades encontrados foram encaminhados ao Ministério Público.
Veja a íntegra da nota:
“A operação realizada hoje pelo Ministério Público (MPRJ) é fruto de um trabalho conjunto entre os órgãos do Estado. O Governo do Estado identificou indícios de irregularidades nos contratos, por meio de auditoria realizada pela Controladoria Geral do Estado (CGE) e o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) no Instituto Rio Metrópole (IRM).
Assim que os relatórios foram concluídos, o Governo do Estado encaminhou formalmente o material ao Ministério Público, órgão competente para conduzir investigações criminais.
O MP aprofundou a apuração, reuniu as provas necessárias e solicitou as medidas judiciais cumpridas nesta quinta-feira.
É importante destacar que o Instituto Rio Metrópole é uma autarquia cuja presidência possui mandato fixo de quatro anos. Diferentemente de cargos de livre nomeação e exoneração, a atual gestão foi nomeada na administração anterior e tem mandato até o final de dezembro de 2026.
O Governo do Estado reforça o compromisso com a transparência, a correta aplicação dos recursos públicos e o combate à corrupção.” (Foto: Arquivo)