Jaguar Land Rover pode mesmo deixar Itatiaia; grupo chinês é cotado para assumir espaço da fábrica
A Jaguar Land Rover (JLR), montadora de carros de luxo instalada há dez anos em Itatiaia, pode estar com os dias contados na cidade. A informação foi publicada pela Revista Quatro Rodas, que apontou a possível chegada da Chery Automobile para ocupar a unidade. A Jaguar não confirmou a informação, mas também não a desmentiu.
Um detalhe, porém, chamou a atenção nos bastidores da história: o prefeito Kaio Márcio publicou nas redes sociais um print de uma reunião com empresários ligados a um grupo chinês, na qual eram discutidos incentivos fiscais. Logo se arrependeu – deve ter sido chamado às falas – e, poucos minutos depois, apagou a postagem. O vazamento, no entanto, alimentou as especulações sobre a possível mudança na operação da fábrica antes mesmo de qualquer anúncio oficial. Há quem entenda que a negociação pode até melar, o que vai ser lamentável, avalia uma fonte.
Ela tem razão. É que a possível saída da montadora está sendo tratada com discrição. Bem diferente da chegada da marca a Itatiaia, em 2016. Na época, a Jaguar desembarcou no Sul Fluminense como símbolo de uma indústria que parecia desafiar a crise. Enquanto as demais montadoras da região reduziam a produção e recorriam ao Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) para complementar a renda dos funcionários, a JLR inaugurava sua primeira fábrica fora do Reino Unido. A chegada foi cercada de expectativa. Até hoje, a unidade de Itatiaia é a única operação da marca na América Latina. O complexo foi projetado para produzir até 24 mil veículos por ano, com possibilidade de expansão.
Em julho de 2014, a Jaguar Land Rover lançou a pedra fundamental da fábrica de Itatiaia. O aQui acompanhou a cerimônia e ouviu dos executivos da montadora uma frase que chamava a atenção em meio às dificuldades enfrentadas pelo setor automotivo: “o mercado de luxo não enfrenta crise”.
O argumento justificava o investimento de R$ 750 milhões em um moderno parque industrial erguido ao lado da antiga fábrica da Xerox, numa época marcada por demissões e retração da produção nas montadoras vizinhas, como Peugeot, Nissan e Hyundai. Três anos depois, a unidade iniciou a fabricação do Range Rover Evoque e do Discovery Sport. O mais barato deles custava cerca de R$ 300 mil. A aposta parecia consolidada. Agora, uma década depois, o futuro da operação é incerto.
Na segunda, 22, representantes da Jaguar Land Rover se reuniram com a diretoria do Sindicato dos Metalúrgicos de Porto Real e Itatiaia (SindiReal) e evitaram comentar o fechamento da planta. Em nota à imprensa, o sindicato disse que a “única informação concreta passada pela empresa foi a conclusão, ainda neste mês de junho, da produção programada para o período e uma parada previamente planejada, destinada à realização de treinamentos e capacitação de sua equipe, um procedimento comum dentro do planejamento operacional da companhia”. Procedimento comum, sim. Mas não exatamente em junho, é bom registrar.
O SindiReal afirmou ainda que “acompanha permanentemente a situação da empresa e mantém diálogo institucional com a direção da montadora, sempre com o objetivo de defender os empregos, os direitos e a segurança dos trabalhadores”. Em outro trecho, a entidade garante que a JLR “vem cumprindo regularmente suas obrigações trabalhistas previstas no Acordo Coletivo vigente e mantendo suas atividades dentro da normalidade”.
Por fim, o Sindicato faz um alerta ao destacar que “a divulgação de informações (como fez Kaio Márcio, grifo nosso) sem confirmação oficial gera insegurança e preocupação entre dezenas de trabalhadores e suas famílias, razão pela qual reforça a necessidade de responsabilidade na divulgação de notícias relacionadas ao futuro da unidade”.
Sobre o vazamento que teria sido feito pelo prefeito Kaio Márcio, o SindiReal não soube informar se há, de fato, negociações para uma eventual transferência da operação. Uma fonte, porém, com bom trânsito nos meios político e sindical na região das Agulhas Negras, confirmou ao aQui o interesse da Omoda Jaecoo – marca pertencente ao grupo Chery. Essa mesma fonte afirma que a repercussão em torno da possível saída da Jaguar e da chegada de uma montadora chinesa não teria agradado representantes do grupo, apontado como interessado na unidade.
A fonte foi além. Comentou que as negociações ainda estariam em estágio sensível e dependeriam de uma série de definições, entre elas a questão dos incentivos fiscais. A avaliação é que qualquer movimentação pública antes da conclusão das tratativas pode criar ruídos desnecessários no processo e até levar os chineses a recuar. Enquanto isso, a Jaguar segue em silêncio. Não confirmou a saída, não desmentiu os rumores e tampouco explicou se, dez anos depois, o mercado de luxo finalmente encontrou a crise. A conferir.
Stellantis amplia geração de empregos no Sul Fluminense
O polo automotivo de Porto Real terá um aporte da ordem de R$ 3 bilhões com o processo de expansão da unidade da Stellantis até 2030. Traduzindo: poderá gerar 100 novas vagas de empregos diretos, ampliando as oportunidades para os trabalhadores da região a partir da modernização tecnológica da fábrica, que produzirá o novo Jeep Avenger. Toda a cadeia automotiva local também será impulsionada, com reflexos para fornecedores, prestadores de serviços e novos empreendimentos, garante o governo do Estado em nota à imprensa.
Além dos impactos diretos na atividade industrial e da geração de novos empregos, o ciclo de investimentos em Porto Real tem impulsionado a instalação de oito novas empresas no polo automotivo. Com isso, o ecossistema industrial do Sul Fluminense segue impulsionado, fortalecendo a cadeia de suprimentos do setor, gerando novas oportunidades de negócios e contribuindo para consolidar a região como um dos principais polos automotivos do país.
“Trabalhamos para criar um ambiente cada vez mais favorável para que empresas ampliem suas operações no Rio de Janeiro. Investimentos como esse fortalecem a indústria fluminense, movimentam a cadeia produtiva, geram empregos e contribuem para o desenvolvimento econômico de diferentes regiões do estado”, afirmou o secretário de Desenvolvimento Econômico, Indústria, Comércio e Serviços, Leandro Pinheiro.