A Polícia Militar apreendeu uma arma de fogo registrada em nome do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) durante uma blitz em Taguatinga, no Distrito Federal. O armamento estava em um veículo conduzido por um militar ligado ao Gabinete de Segurança Institucional, o GSI.
O registro da ocorrência foi juntado à ação penal em que Bolsonaro cumpre prisão domiciliar humanitária, concedida por motivos de saúde. Diante do episódio, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinou prazo de 24 horas para que a defesa do ex-presidente preste esclarecimentos.
A abordagem ocorreu na segunda-feira, 15, durante uma blitz de bafômetro. Os agentes interceptaram um Honda Civic conduzido por Estácio Leite da Silva Filho.
Segundo o policial militar Davi Evangelista Alves, durante a revista ao veículo foi localizada uma pistola Glock, calibre 9 mm, no assoalho do carro, acompanhada de um carregador sobressalente. Após consulta ao Sistema de Gerenciamento Militar de Armas, o Sigma, do Exército Brasileiro, os agentes confirmaram que a arma estava registrada em nome de Bolsonaro.
Ainda de acordo com a corporação, o armamento foi recolhido, e o condutor recebeu ordem para parar o veículo no acostamento. Durante a abordagem, os policiais constataram que ele era oficial da Presidência da República e servidor ligado ao GSI.
Como o militar não apresentou o registro da arma no momento da fiscalização, foi levado à 21ª Delegacia de Polícia para prestar esclarecimentos. Ele foi liberado posteriormente.
Em depoimento, o militar afirmou que a arma pertencia ao ex-presidente e que havia recebido o armamento porque ele apresentava uma pane. Disse ainda que retirou a pistola em 15 de junho para a realização de reparos e que ela seria devolvida no dia seguinte, 16 de junho. Não está claro quem entregou a arma de Bolsonaro ao militar. A 17ª Delegacia de Polícia deve investigar o caso.
Moraes cobrou explicações da defesa de Bolsonaro sobre a manutenção da arma de fogo na residência do ex-presidente, com carregador sobressalente, e sobre os motivos do pedido de reparo do armamento às vésperas do fim do prazo de 90 dias concedido para a prisão domiciliar.
O ministro também solicitou esclarecimentos ao tenente-coronel Allenson Nascimento Lopes, comandante do 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal e responsável pelas medidas de segurança do regime domiciliar humanitário. Moraes quer saber se a ordem judicial de revista nos veículos que deixam a residência de Bolsonaro está sendo integralmente cumprida, inclusive em relação aos carros oficiais usados na segurança do ex-presidente.
O magistrado também pediu informações sobre se os celulares dos agentes do GSI permanecem acondicionados fora da residência.