
O governador interino Ricardo Couto de Castro chega ao encontro desta sexta-feira (10) com o presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, sob pressão crescente para adotar medidas mais firmes sobre a estrutura herdada do governo Cláudio Castro. Nos bastidores do Rio de Janeiro, aumentou a cobrança para que a interinidade não se limite à administração cotidiana e avance sobre contratos, cargos e áreas vistas como símbolos do uso político da máquina estadual.
A reunião acontece em meio à indefinição sobre a sucessão no Palácio Guanabara. O julgamento do STF sobre a forma de escolha do governador do mandato-tampão foi suspenso após pedido de vista do ministro Flávio Dino, quando o placar já estava em 4 a 1 a favor da eleição indireta pela Alerj. Até nova decisão da Corte, Ricardo Couto permanece no comando do estado.
Nesse ambiente, interlocutores da política e do meio jurídico passaram a defender uma espécie de faxina administrativa. Entre os pontos mais citados estão a revisão de contratos firmados na gestão anterior, o aumento da transparência dos gastos públicos e uma reavaliação de estruturas vistas como inchadas para acomodação política. A leitura é que uma cautela excessiva pode deixar o governo interino vulnerável a passivos e armadilhas herdadas do período anterior.
Um dos alvos mais lembrados nessa discussão é a Secretaria de Representação Política em Brasília, apelidada por adversários de “República de Sergipe”. A pasta era comandada até pouco tempo por André Moura, ex-deputado que pretende disputar vaga ao Senado por Sergipe, e se transformou em símbolo das críticas da oposição ao uso político da estrutura do estado fora do Rio.
Há também quem defenda que o governo recorra ao Tribunal de Contas do Estado para uma auditoria mais ampla em contratos celebrados e empenhados na administração passada. Esse movimento, segundo essa corrente, teria coerência com o próprio pano de fundo da crise fluminense, já que Cláudio Castro foi cassado pela Justiça Eleitoral no caso Ceperj, processo que tratou do uso da máquina pública nas eleições de 2022.
O encontro com Fachin deve servir justamente para calibrar os limites dessa atuação. A expectativa em torno da conversa é saber até onde o governador interino pode avançar politicamente e administrativamente enquanto o STF não encerra o julgamento sobre o mandato-tampão.
Com informações de Octávio Guedes/g1