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Como o governo tenta ressignificar o discurso ‘antissistema’ em favor de Lula – CartaCapital

No dia 17 de setembro, em uma audiência pública na Câmara, o ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira, foi provocado pelo deputado Bohn Gass (PT-RS) sobre um dilema incômodo: como enfrentar a narrativa da extrema-direita de que Jair Bolsonaro é “o cara antissistema”, enquanto o PT estaria colado ao establishment?

“A bandeira antissistema é antissistema dos poderosos. É 99,9% contra 0,1%”, respondeu Palmeira. E arrematou com um exemplo emblemático: quem compra uma moto paga imposto, quem compra um jatinho não.

A frase dá a medida de uma estratégia que começa a ser construída, a partir de pesquisas qualitativas. Enquanto o “antissistema” bolsonarista se ancora no ataque às instituições (o Congresso, o Judiciário, o Estado), o “antissistema” lulista mira o poder econômico.

IOF, ‘taxação BBB’ e o novo slogan

Esse reposicionamento ganhou corpo durante a crise do IOF. Em junho, o Congresso derrubou decreto presidencial que elevava o tributo, numa rara aliança entre Centrão e bolsonaristas. O governo conseguiu ressuscitar parte da medida no Supremo. Para o líder do PT no Senado, Rogério Carvalho (SE), a disputa deixou claro o novo campo de batalha. “A crise do IOF nos permitiu ficar contra o sistema do explorador econômico. O outro lado combate um sistema que tem o Supremo e a democracia.”

No embalo daquela crise, o PT lançou nas redes a campanha da “taxação BBB” — bilionários, bancos e bets. A proposta amarrava aumento de impostos para super-ricos à promessa de isenção total do Imposto de Renda para salários de até 5 mil reais, e parcial até 7 mil reais.

Pouco depois, veio um novo slogan, concebido por Palmeira e sua equipe: “Governo do Brasil, do lado do povo brasileiro.”

Dedos contra o Congresso

Lula também tem reforçado o contraste em falas públicas. Nos últimos meses, intensificou o uso da palavra “povo” em discursos, enquanto empurra o Congresso para o papel de guardião das elites.

Em 18 de setembro, num programa evangélico, cutucou diretamente os parlamentares. “Pega a Constituição e veja os direitos sociais. Não é regulamentado, e por quê? Porque a maioria dos deputados não são trabalhadores, não tem compromisso com os trabalhadores. São gente de classe média alta, que pouco tá ligando para o povo.”

Dois dias antes, a Câmara aprovara a chamada PEC da Blindagem, apelidada por seus defensores de “PEC das Prerrogativas”, que amplia imunidades para parlamentares e até dirigentes partidários. Ao comentar o assunto na primeira aparição pública após a aprovação, Lula jogou-os na fogueira.

“Nós temos de garantir prerrogativa de vida para o povo, prerrogativa de trabalho, prerrogativa de educação.”

No dia 21, quando manifestações tomaram as ruas contra a medida, o presidente engrossou o coro no X: “Estou do lado do povo brasileiro. (…) O Congresso Nacional deve se concentrar em medidas que tragam benefícios para o povo.”

Movimentos sociais no Planalto

O projeto de Lula inclui ainda dar a Guilherme Boulos (PSOL-SP) a Secretaria-Geral da Presidência. Cabe à Secretaria Geral a interlocução do Palácio do Planalto com os movimentos sociais, as massas. E Boulos possui traquejo nisso.

‘Sidonização’ do PT?

O secretário de comunicação do partido, Éden Valadares, sustenta que a imagem de Lula como “antissistema” não nasceu no marketing, mas da política.

“A decisão do presidente de priorizar promessas de campanha veio antes [do marketing]. E daí vem a taxação dos super-ricos e zerar o imposto para quem menos de 5 mil.”

Valadares é baiano, assim como Palmeira, e em Brasília já se fala em uma “sidonização do PT”. Outros, em contrapartida, defendem que seria preciso “petizar a Secom”. Internamente, comenta-se que Palmeira resistiu à ideia da “taxação BBB”, mas acabou convencido.

No fim, o secretário sintetiza a lógica. “O PT nasceu como crítica ao sistema capitalista e ao sistema político brasileiro. O propósito do PT é transformar esse sistema.”

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